Flávio Dino acusa imprensa de preconceito regional de matriz racista

O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), publicou no Instagram no domingo, 20, uma reação a textos da imprensa dos últimos dias. Ele classificou as críticas à sua atuação e às referências filosóficas usadas em seus votos como preconceito regional com matriz racista.
Segundo Dino, um aspecto nas críticas recebidas desde que chegou ao STF é o ódio à sua procedência regional. Ele afirmou que menções à sua origem maranhense configuram preconceito regional que, segundo ele, tem matriz racista.
A manifestação veio após editoriais, colunas e análises de diferentes veículos. Os textos questionavam sua atuação em sessões recentes do STF e o emprego de referências filosóficas, em especial citações a Aristóteles feitas na sessão de terça-feira, 15.
Sem citar nominalmente os veículos, Dino reproduziu expressões que atribuiu aos textos. Entre elas, citou "jurista de província", "pessoa destituída de qualquer qualificação" e "oratória grandiloquente de província".
O Globo publicou editorial na quinta-feira, 17, com a expressão "oratória grandiloquente de província". O texto tratava da sessão do STF que debateu a abertura de investigação contra o ministro Alexandre de Moraes. Conforme o editorial, Dino e Gilmar Mendes teriam adotado essa postura nos debates.
Na Folha de S.Paulo, o professor de Direito Constitucional Conrado Mendes publicou coluna na quarta-feira, 16. Ele avaliou que a participação de Dino na mesma sessão teve agressões a Fachin e citações de algibeira.
Dois dias depois, o jornalista Mario Sergio Conti, também na Folha, contestou uma referência de Dino a Aristóteles. Na sessão, o ministro associou o filósofo grego ao uso da ironia. Conti escreveu que Dino tentou se passar por sabido.
O filósofo Luiz Felipe Pondé analisou, em vídeo da Folha de S.Paulo, cinco referências de Dino a Aristóteles. Pondé considerou algumas coerentes, mas apontou imprecisão na associação entre ironia e descontração feita pelo ministro na sessão.
A Revista Oeste publicou, na sexta-feira, 18, críticas às referências intelectuais usadas por Dino em sua argumentação no STF.
A controvérsia ganhou força após a sessão plenária de terça-feira, 15, quando o STF discutiu a possibilidade de investigar Alexandre de Moraes. O posicionamento de Dino, com citações filosóficas e tom enfático, foi questionado por veículos de diferentes espectros. Natural do Maranhão, o ministro defende sua formação acadêmica e a pertinência das referências empregadas em seus votos.
Principais informações
- Flávio Dino, do STF, publicou no Instagram no domingo, 20, reação a críticas da imprensa.
- Ele afirmou que as críticas expressam preconceito regional com matriz racista e mencionou sua origem maranhense.
- Textos questionavam sua atuação em sessões recentes e citações a Aristóteles feitas em 15 de terça-feira.
- O Globo, Folha de S.Paulo e Revista Oeste publicaram editoriais, colunas e análises sobre o tema.
- A sessão de 15 de terça-feira discutiu a possibilidade de investigar Alexandre de Moraes.

