Justiça de SP decreta falência do Grupo Ricoy, com dívida de R$ 461,2 milhões

Justiça de SP decreta falência do Grupo Ricoy, com dívida de R$ 461,2 milhões

A juíza Fernanda Perez Jacomini, da 3ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo, decretou em 28 de agosto a falência do Grupo Ricoy, encerrando o processo de recuperação judicial aberto em outubro de 2025. A decisão alcança 33 empresas ligadas à rede de supermercados, entre holdings, distribuidoras, supermercados e a bandeira Vencedor Atacadista.

Nascido na Zona Sul de São Paulo, o grupo surgiu da fusão dos supermercados Riviera e Yokoi e cresceu incorporando marcas como Amais, Economax, Pão de Mel, Peri, Gimenez, Rei do Gado e Russi. Em 2011, inaugurou um centro de distribuição e lançou o Vencedor Atacadista.

No período de maior atividade, a companhia manteve 96 lojas próprias em mais de 70 cidades paulistas, com mais de 5 mil empregos diretos. Segundo o laudo econômico apresentado pela própria empresa, a escalada dos juros, o acirramento da concorrência no varejo alimentar e os impactos fiscais da aquisição do Grupo Russi comprometeram a saúde financeira do negócio.

O plano de recuperação judicial foi rejeitado em assembleia de credores realizada em 14 de julho, sem aprovação na Classe III, formada por credores sem garantia real. A Justiça avaliou que não havia condições para aplicar a homologação forçada, o cram down, conforme informações publicadas pela revista Exame.

Em agosto, um grupo de credores apresentou um plano alternativo, que previa a criação de uma unidade produtiva isolada no setor de laticínios. A proposta teve adesão de apenas 0,185% dos créditos, muito abaixo do quórum mínimo de 35% exigido para validar a votação. Diante do impasse, a administradora judicial Vivante recomendou formalmente a decretação da falência.

A Vivante apontou irregularidades no processo: o grupo deixou de enviar relatórios operacionais, financeiros, contábeis e trabalhistas desde fevereiro de 2026; em agosto, nenhuma unidade mantinha operação plena; e foram identificadas máquinas de cartão que direcionavam pagamentos a empresas externas ao grupo em recuperação.

O passivo total mapeado no último relatório da administração judicial é de R$ 461,2 milhões, distribuídos entre 4.671 credores. Os credores trabalhistas somam R$ 50,7 milhões, com 2.824 credores; a Classe III, sem garantia real, responde por R$ 385,9 milhões e 653 credores; e as micro e pequenas empresas, por R$ 24,6 milhões, abrangendo 1.194 empresas.

Com o fim da reestruturação, a Justiça passa à fase de arrecadação, avaliação e leilão dos ativos remanescentes, com o objetivo de quitar as dívidas seguindo a ordem de prioridade da legislação falimentar brasileira. As habilitações de crédito registradas na recuperação judicial foram automaticamente migradas para o rito falimentar.

Principais informações

  • A juíza Fernanda Perez Jacomini, da 3ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais, decretou a falência do Grupo Ricoy em 28 de agosto, encerrando a recuperação judicial aberta em outubro de 2025.
  • A decisão atinge 33 empresas do grupo, que chegou a ter 96 lojas próprias em mais de 70 cidades paulistas.
  • O passivo total é de R$ 461,2 milhões, distribuído entre 4.671 credores, sendo R$ 385,9 milhões da Classe III e R$ 50,7 milhões trabalhistas.
  • O plano de recuperação foi rejeitado em assembleia em 14 de julho, e o plano alternativo de credores teve adesão de apenas 0,185% dos créditos.
  • A administradora judicial Vivante apontou falta de relatórios desde fevereiro de 2026, fim das operações plenas em agosto e máquinas de cartão que direcionavam pagamentos a empresas externas.

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