Estudo indica que titanossauros incubavam ovos em ninhos de vegetação em regiões frias

Pesquisa publicada na terça-feira (24) no periódico Royal Society Open Science aponta que titanossauros recorriam a ninhos feitos de vegetação e solo para incubar seus ovos em áreas de latitude elevada, longe das temperaturas mais altas próximas ao equador. O trabalho se baseia em 255 fragmentos de cascas de ovos recolhidos na Formação Chorrillo, no sul da Argentina.
Os fósseis têm cerca de 68 milhões de anos e foram encontrados a 322 quilômetros ao norte do Estreito de Magalhães, em latitudes entre 55 e 60 graus sul. De acordo com o estudo, trata-se do local de nidificação mais meridional já documentado entre os saurópodes, grupo dos herbívoros de pescoço comprido.
Os paleontólogos descartam que os próprios titanossauros chocassem os ovos. Por causa do porte colossal dos adultos, o ato de se sentar sobre a ninhada transformaria o ninho em uma "omelete gigante", nas palavras da paleontóloga Darla Zelenitsky, da Universidade de Calgary.
A solução, segundo os pesquisadores, foi construir ninhos em formato de monte. O calor necessário à incubação vinha sobretudo da decomposição do material vegetal e do solo acumulados nessas estruturas, o que compensava a menor incidência de luz solar e as temperaturas mais baixas dessas regiões.
A estratégia também ajudava a preservar os embriões: como as cascas eram bastante porosas, perderiam água rapidamente se ficassem expostas, e a cobertura de solo e vegetação mantinha a umidade necessária para a sobrevivência dos filhotes.
A descoberta altera o que se sabia sobre o comportamento reprodutivo do grupo. Antes, acreditava-se que esses gigantes subiam para latitudes altas apenas nos verões e retornavam para perto do equador para completar o ciclo reprodutivo. Com a evidência de ovos nessas áreas, ganha força a hipótese de que podiam permanecer no sul durante todo o ano.
O estudo também sustenta que os animais podiam migrar por longas distâncias e nidificar no mesmo local ao longo de milênios. Segundo a pesquisa, os titanossauros chegavam a pesar até 75 mil quilos, e os filhotes nasciam com cerca de 4 quilos.
Principais informações
- Fragmentos de 255 cascas de ovos foram achados na Formação Chorrillo, a 322 quilômetros ao norte do Estreito de Magalhães
- Os fósseis têm 68 milhões de anos e estão em latitudes entre 55 e 60 graus sul
- É o ambiente de nidificação mais meridional já registrado para saurópodes
- O calor da incubação vinha da decomposição de vegetação e solo acumulados em ninhos em forma de monte
- A descoberta reforça a hipótese de que os titanossauros permaneciam no sul ao longo do ano

