Campanha de Lula tem clima de apreensão com popularidade travada e medo de derrota

O entorno do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) está tomado por apreensão com a estagnação da popularidade e o risco de derrota na campanha pela reeleição. A expectativa de que o início formal da disputa desse fôlego ao petista na busca por um quarto mandato não se confirmou, apesar do uso da máquina pública e de recursos da União.
Pesquisa Datafolha mostra que a reprovação ao governo passou de 37% em dezembro do ano passado para 41% no levantamento mais recente. A avaliação ótima ou boa oscilou de 32% para 33%. Os índices pouco mudaram mesmo após o anúncio de medidas de mais de 200 bilhões de reais.
A situação contraria a regra de o governante crescer nas pesquisas em ano eleitoral e também o movimento ocorrido com Jair Bolsonaro no mandato anterior. Em dezembro de 2021, Bolsonaro tinha 53% de avaliação ruim ou péssima e 22% de ótima ou boa. Antes do primeiro turno de 2022, chegou a 38% de aprovação, com reprovação em 39% — ganhou 16 pontos de aprovação e cortou 14 pontos de rejeição após um pacote bilionário.
No entorno de Lula, o diagnóstico é o de fadiga de material: propostas consideradas ultrapassadas e imagem desgastada após três mandatos. Assessores reconhecem que parte do eleitorado se cansou do presidente. Mesmo podendo gastar, Lula não reverteria o quadro sem um projeto claro nem um rumo definido, o que mantém a campanha em improvisos.
O presidente também não tem conseguido pautar o debate público. Lula vive a reboque dos fatos, e iniciativas como a renegociação de dívidas das famílias tiveram efeito positivo breve, cedendo lugar a temas como custo de vida, suspeitas envolvendo Fábio Luís da Silva, o Lulinha, e criminalidade.
Apesar do otimismo do presidente, aliados já consideram a derrota no segundo turno uma possibilidade concreta. A disputa pode repetir o cenário de 2022, vencido por Lula por 1,8 ponto percentual, cerca de 2,1 milhões de votos. A preocupação é menor porque, segundo as pesquisas atuais, o adversário seria Flávio Bolsonaro, que também sofre com rejeição elevada e falta de propostas.
Principais informações
- Reprovação ao governo Lula subiu de 37% para 41% no Datafolha, e aprovação passou de 32% para 33%.
- Medidas de mais de 200 bilhões de reais não alteraram a popularidade do presidente.
- Aliados atribuem a estagnação a fadiga de material e à ausência de projeto claro de campanha.
- Governistas temem derrota no segundo turno; adversário provável seria Flávio Bolsonaro.

