Levantamento mostra 13 empresas com perdas de até 99% na B3 em três anos

Levantamento do jornal Gazeta do Povo identificou 13 empresas que perderam ao menos 88% do valor de mercado na B3 entre janeiro de 2023 e agosto de 2026. Seis delas tiveram queda superior a 99%, em setores como varejo, aviação, construção, logística, saúde e energia.
Para preservar as operações, as companhias recorreram a recuperações judiciais, renegociações e aumentos de capital, o que reduziu o patrimônio dos antigos acionistas. A maior desvalorização foi da Sequoia Logística, de 99,99%, após expansão acelerada e operações deficitárias no comércio eletrônico; a empresa passou por recuperação judicial e deixou o B2C.
Gafisa perdeu 99,92%, afetada por mudanças de estratégia, disputas societárias e entraves operacionais, com forte diluição de acionistas e grupamento de ações. A Azul caiu 99,91%, pressionada por endividamento da pandemia e custos em dólar; a reestruturação societária converteu dívidas e diluiu acionistas, mas a malha aérea segue operando.
Gol recuou 99,85%, pediu recuperação judicial nos Estados Unidos em 2024, transferiu o controle econômico a credores e investidores e teve as ações retiradas da B3. Americanas caiu 99,46% depois da revelação de inconsistências contábeis em janeiro de 2023, que levaram à recuperação judicial; a capitalização dos acionistas de referência manteve as operações, mas o ativo continua classificado como de alto risco.
Casas Bahia perdeu 99,41%, com juros altos e consumo fraco prejudicando a geração de caixa; em 2026, a varejista pediu recuperação judicial para renegociar parte de uma dívida de cerca de R$ 28 bilhões. Ambipar caiu 99,21% após aquisições rápidas que elevaram a dívida e levantaram dúvidas sobre governança; a empresa ajustou a cotação das ações, mantendo os serviços.
Infracommerce recuou 97,17%, pressionada pelo alto consumo de caixa e pela cobrança do mercado por rentabilidade, e reestrutura operações para cortar custos. Viveo caiu 95,44%, com despesas financeiras e integração de empresas adquiridas reduzindo margens; a administração busca diminuir o endividamento. Oi perdeu 94,12%, com a venda de ativos na segunda recuperação judicial; a Justiça converteu o processo em falência, mantendo serviços essenciais na transição.
Raízen caiu 93,50%, depois de investimentos elevados e resultados abaixo do esperado, e teve plano de recuperação extrajudicial homologado em 2026. PDG Realty perdeu 91,33%, com alienação de ativos e redução das operações após recuperações anteriores. Marisa caiu 88,64%, com queda nas vendas e endividamento, e está em recuperação judicial desde 2023, com as lojas abertas.
Os dados foram ajustados por eventos societários, com preços de fechamento de 2 de janeiro de 2023 e 27 de agosto de 2026. As exceções são Oi, cujo preço é de 24 de agosto de 2026, data da suspensão por falência, e Gol, com preço de 27 de março de 2026, data da saída da B3.
Principais informações
- Treze empresas perderam ao menos 88% do valor na B3 entre janeiro de 2023 e agosto de 2026.
- Seis companhias tiveram desvalorização superior a 99%.
- Sequoia Logística registrou a maior queda, de 99,99%.
- Casas Bahia pediu recuperação judicial em 2026 para renegociar dívida de cerca de R$ 28 bilhões.
- Oi teve a recuperação judicial convertida em falência em agosto de 2026.

