Justiça de SP mantém prisão preventiva de Deolane Bezerra em caso de lavagem de dinheiro do PCC

Justiça de SP mantém prisão preventiva de Deolane Bezerra em caso de lavagem de dinheiro do PCC

Nesta quinta-feira (27), a Justiça de São Paulo decidiu manter a prisão preventiva de Deolane Bezerra e de outros réus da Operação Vérnix, apuração que envolve lavagem de dinheiro supostamente ligada ao PCC. A advogada e influenciadora permanece detida desde 21 de maio no Pavilhão Especial da Penitenciária Feminina de Tupi Paulista, no interior do Estado.

O pedido de reavaliação partiu do Ministério Público, pois a legislação exige que a prisão preventiva seja reexaminada a cada 90 dias. Na decisão, a 3ª Vara de Presidente Prudente considerou que seguem presentes os requisitos que justificam a detenção, como a garantia da ordem pública e econômica, a conveniência da instrução criminal, o risco de continuidade das atividades de lavagem de dinheiro e a existência de indícios de atuação estruturada e permanente de organização criminosa.

A Justiça também determinou que continuem as buscas por Paloma Sanches Herbas Camacho e Leonardo Alexsander Ribeiro Herbas Camacho, considerados foragidos. Eles são sobrinhos de Marcola, apontado como chefe do PCC.

Segundo a denúncia do Ministério Público, a organização criminosa era dividida em três núcleos: decisório, operacional e financeiro. Deolane, conforme a acusação, integra o núcleo financeiro, sendo descrita pelo Gaeco como 'a principal integrante'. Ela seria responsável por ocultar e dissimular recursos ilícitos em contas bancárias próprias e de suas empresas, além de transformar esses valores em bens de alto valor econômico.

O Gaeco também sustentou que dois dos denunciados seguem foragidos, o que reforçaria a necessidade de manter a prisão preventiva para assegurar a aplicação da lei penal.

A Operação Vérnix investiga um esquema de ocultação e dissimulação de recursos supostamente originados de atividades ilícitas atribuídas ao PCC. De acordo com o MP, análises de documentos fiscais, bancários e relatórios técnicos indicam movimentações de grandes quantias e conversão desses recursos em ativos, com uso de empresas de fachada e pessoas interpostas.

Em julho, o Tribunal de Justiça de São Paulo negou, por unanimidade, um pedido de habeas corpus apresentado pela defesa de Deolane. A relatora, desembargadora Renata Cantello, afirmou que as alegações da defesa e da OAB-SP representavam 'meras insatisfações com a rigidez natural do regime de reclusão', sem demonstrar ilegalidade. A inscrição da influenciadora na OAB está suspensa desde a decretação da prisão.

A defesa de Deolane Bezerra disse receber a decisão com surpresa e classificou a prisão como manifestamente desnecessária, ilegal e desproporcional. A equipe de defesa afirma que a cliente é inocente e que a movimentação financeira dela decorre de atividades empresariais lícitas e honorários advocatícios, o que será comprovado na instrução. A defesa afirma ainda que continuará adotando todos os instrumentos cabíveis para restabelecer a liberdade.

Principais informações

  • A Justiça de SP manteve a prisão preventiva de Deolane Bezerra e de outros réus da Operação Vérnix.
  • O Gaeco aponta a influenciadora como principal integrante do núcleo financeiro do esquema.
  • As buscas por dois foragidos, sobrinhos de Marcola, foram mantidas.
  • A defesa nega vínculo com organização criminosa e diz que a prisão é ilegal e desproporcional.

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