PF investiga dinheiro vivo em despesas ligadas a Lulinha, filho de Lula

A Polícia Federal abriu inquérito em 25 de junho de 2025 para investigar Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A suspeita envolve o uso de dinheiro em espécie em despesas ligadas a viagens e negócios do filho de Lula com a lobista Roberta Luchsinger.
Segundo o documento que embasou a investigação, o motorista de Roberta, Ulisses Barbosa Viana Júnior, recebeu R$ 100 mil e R$ 200 mil em duas operações com pessoa não identificada. Do total, R$ 50 mil foram para uma agência de viagens, que emitiu passagens de R$ 2 mil para Roberta e Lulinha de Brasília a Congonhas, em São Paulo. As informações foram publicadas pela Folha de S.Paulo.
No domingo 23, Lula afirmou, em entrevista à Record, que trata o caso com 'muita seriedade' e que não tenta impedir o trabalho da PF. 'Meu filho sabe se cometeu erro, ele vai ser julgado, vai ser punido ou vai ser inocentado, mas ele tem que provar a inocência dele', disse.
As mensagens encontradas mostram Roberta pedindo que R$ 50 mil fossem depositados em sua consultoria e outros R$ 50 mil na agência de viagens. Ulisses disse que levou os R$ 300 mil à casa da lobista, em pacotes lacrados, e que eram '100 + 200'. Ele enviou foto de um armário e afirmou que o restante estava 'atrás das roupas'. Roberta também encaminhou o bilhete do voo que faria com Lulinha e pediu que o motorista estivesse no local.
A PF quer aprofundar a apuração sobre Ulisses, visto como possível operador financeiro, e avalia se a movimentação indica lavagem de dinheiro. O inquérito apura ainda 'comunhão de interesses econômicos' entre Lulinha e Roberta, suspeita de sociedade oculta em negócios de Cannabis medicinal e tentativas de vender produtos ao Ministério da Saúde. O caso está sob relatoria do ministro André Mendonça, do STF.
A defesa de Lulinha nega que o dinheiro tenha custeado viagens e diz não haver relação entre ele e o motorista. O advogado Marco Aurélio de Carvalho acusou setores da PF de agirem por interesses políticos. A defesa de Roberta não comentou conversas supostamente retiradas de relatório sigiloso, e Ulisses não se manifestou.
A investigação também aponta que Roberta pagou R$ 217 mil em despesas de Marco Aurélio Ribeiro, o Marcola, ex-chefe de gabinete de Lula, em 2024. A defesa de Marcola nega envolvimento em licitações e diz que os valores eram empréstimo pessoal. Há suspeita de que Roberta gastava R$ 100 mil por mês com uma casa usada por Lulinha, o que teria levado à redução de gastos com passagens.
Principais informações
- Inquérito contra Lulinha foi aberto em 25 de junho de 2025.
- Motorista de Roberta recebeu R$ 300 mil em dinheiro vivo.
- R$ 50 mil foram usados para comprar passagens aéreas de Roberta e Lulinha.
- PF suspeita de lavagem de dinheiro e tráfico de influência.
- Lula disse que não tenta impedir a investigação.

