Rabobank prevê carne bovina cara em 2027 com menor oferta de animais para abate

A carne bovina deve continuar com preços elevados em 2027, segundo relatório do Rabobank divulgado em novembro. O banco aponta redução da oferta de animais para abate e expectativa de novas valorizações do boi gordo ao longo do próximo ano.
A projeção é de que a produção brasileira de carne bovina recue de 11,3 milhões de toneladas em 2026 para cerca de 11 milhões de toneladas em 2027. O movimento ocorre enquanto pecuaristas retêm fêmeas para recompor os rebanhos, depois de um período de abates elevados.
A pressão sobre os preços já aparece nas cotações. Dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) mostram que a arroba do boi gordo alcançou R$ 380 em outubro de 2026, alta de 4% frente ao mês anterior. O preço dos bezerros também registrou níveis recordes em setembro.
De acordo com o Rabobank, a valorização deve ganhar força sobretudo no segundo semestre de 2027, quando a diminuição do abate de fêmeas e a menor disponibilidade de animais jovens ficarem mais evidentes.
Para o consumidor brasileiro, o cenário é de menor oferta. O banco estima queda de 6% no volume de carne bovina destinado ao mercado doméstico, que chegaria a 6,5 milhões de toneladas em 2027. A expectativa é de que os preços mais altos levem parte dos consumidores a substituir a proteína por opções mais baratas.
Nesse movimento de troca, a oferta interna de carne suína deve crescer 2,5%, para 4,4 milhões de toneladas, enquanto a de frango deve avançar 2%, para 10,8 milhões de toneladas.
No mercado externo, a projeção do Rabobank é de exportações brasileiras de carne bovina de 4,5 milhões de toneladas em 2027, alta de 1,5% em relação a 2026. A demanda internacional deve continuar sustentando o setor, ainda que restrições comerciais da China e dos Estados Unidos representem riscos aos embarques.
O relatório também menciona que o fenômeno El Niño pode afetar as pastagens e elevar os custos de alimentação dos animais. Segundo o banco, a intensidade dos reajustes dependerá da capacidade dos frigoríficos de repassar os custos ao mercado doméstico.
Principais informações
- Rabobank projeta carne bovina cara em 2027 por menor oferta de animais para abate
- Produção brasileira deve cair de 11,3 milhões de toneladas em 2026 para cerca de 11 milhões em 2027
- Arroba do boi gordo atingiu R$ 380 em outubro de 2026, alta de 4% sobre o mês anterior, segundo o Cepea
- Oferta ao mercado interno deve recuar 6%, para 6,5 milhões de toneladas, enquanto suína e frango crescem
- Exportações devem somar 4,5 milhões de toneladas em 2027, com riscos ligados a restrições da China e dos EUA

