TJSP manda Pablo Marçal ocultar vídeo com falas sobre religiões de matriz africana

TJSP manda Pablo Marçal ocultar vídeo com falas sobre religiões de matriz africana

O Tribunal de Justiça de São Paulo determinou, em decisão liminar, que o empresário e influenciador Pablo Marçal retire do ar um vídeo em que faz declarações sobre religiões de matriz africana. A ordem atende a uma ação movida pela Educafro Brasil e dá a ele 48 horas para ocultar a publicação de seu perfil no Instagram.

Se o prazo não for cumprido, a multa prevista é de R$ 50 mil por dia. A decisão também proíbe a exclusão do conteúdo: Marçal deve apenas ocultá-lo, porque apagar o vídeo seria tratado como destruição de provas. A assessoria do empresário informou que a publicação já havia sido arquivada quando o caso se tornou público.

A Educafro Brasil pede ainda indenização de R$ 10 milhões. Pelo pedido, o valor deve ser destinado a um fundo público que repasse os recursos a projetos de combate ao que a organização classifica como racismo religioso.

O vídeo é um corte de uma entrevista ao programa Show do Bacci, do canal BNTV. No trecho, Marçal diz que "todo macumbeiro é derrotado na vida" e afirma que sua crítica não é dirigida à religião em si, mas a pessoas que, segundo ele, têm "o perfil" de invejosas e que não prosperam.

Na mesma entrevista, ele declara que não teme trabalhos espirituais e provoca: "se macumba funcionasse, Bahia era Dubai". O empresário também diz que já comeu farofa de macumba e contesta a associação entre a Bahia e a prática religiosa.

Os dados usados no debate mostram que as religiões de matriz africana praticadas no Brasil resultam do sincretismo e não existem na África. Segundo a Seton Hall University, os seguidores das tradições que deram origem à macumba eram 2,7% da população do continente em 2020, enquanto cristãos somavam 51,3% e o islamismo, 43,1%.

A Bahia também não é o estado brasileiro com mais adeptos dessas religiões. Conforme o censo de 2022, cerca de 1% da população baiana segue essa fé, contra 3,25% no Rio Grande do Sul, unidade com o maior índice. O levantamento aponta ainda que a maioria dos praticantes se identifica como branca (42,7%), seguida por pardos (33,1%) e pretos (17,1%).

Principais informações

  • TJSP determina que Pablo Marçal oculte vídeo sobre religiões de matriz africana em 48 horas
  • Multa em caso de descumprimento é de R$ 50 mil por dia
  • Empresário não pode excluir o vídeo, apenas ocultá-lo, para não destruir provas
  • Educafro Brasil pede indenização de R$ 10 milhões, destinada a fundo de combate ao racismo religioso
  • Vídeo é um corte de entrevista ao programa Show do Bacci, do canal BNTV

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