Fábrica da Morita Motors em Schroeder (SC) pede autofalência e demite mais de 80

A Nova Motores e Fios, fabricante de motores elétricos da marca Morita Motors, comunicou nesta quinta-feira (29) a demissão sem justa causa de seus funcionários e informou o encerramento definitivo das atividades em Schroeder, no Norte de Santa Catarina. No mesmo comunicado, a empresa afirmou ter apresentado à Justiça um pedido de autofalência.
Segundo o Portal de Schroeder, que divulgou a informação primeiro, mais de 80 trabalhadores perderam o emprego. A reportagem do portal esteve na fábrica, na Rua Ponte Pênsil, e encontrou o portão fechado com corrente e cadeado. Nenhum representante da empresa foi localizado para comentar o fechamento.
A dispensa vale a partir desta quinta-feira, com aviso-prévio indenizado — ou seja, os trabalhadores não precisam cumprir o período, que entra no acerto. Os documentos necessários para sacar o FGTS e solicitar o seguro-desemprego ficarão à disposição no sindicato da categoria, em data ainda a ser divulgada. O comunicado, porém, não especifica qual entidade receberá o material.
Até o começo da tarde desta quinta, o Sindicato dos Metalúrgicos de Jaraguá do Sul e Região não havia publicado nada sobre o caso, e o site da Prefeitura de Schroeder não trazia nota sobre o fechamento.
Datado de 29 de outubro e assinado pela administração, o texto atribui o pedido de autofalência às dificuldades econômico-financeiras dos últimos anos e a sucessivos esforços para manter as atividades e os empregos. A empresa afirma que não conseguiu restabelecer as condições para seguir operando.
A Nova Motores não informou quando pagará a rescisão. De acordo com o comunicado, cabe ao Judiciário decidir sobre a falência e as providências seguintes, incluindo as verbas rescisórias, que serão calculadas conforme a legislação trabalhista. A escolha pela autofalência também levou em conta a possibilidade de que parte das atividades continue, caso o juiz autorize, com o objetivo de preservar o patrimônio, encerrar contratos que ainda geram receita e reduzir o impacto do desemprego.
Na autofalência, a própria empresa pede à Justiça a decretação de sua falência, como prevê a Lei 11.101, de 2005, citada no comunicado. Se o pedido for aceito, um administrador judicial assume os bens, que são vendidos para pagar as dívidas. Pela lei, os trabalhadores estão à frente na fila de credores, com créditos de até 150 salários mínimos cada um, e os salários dos três meses anteriores à falência, até o limite de cinco salários mínimos por pessoa, são pagos assim que houver dinheiro em caixa. O número do processo não foi divulgado.
A empresa foi aberta em janeiro de 2008, segundo o cadastro da Receita Federal, que ainda a registra como ativa. Ela fabricava motores elétricos, alternadores e fios. O sócio-administrador é o empresário Paulo Goh Morita, cujo sobrenome batiza a marca, ao lado da holding Nova Participações, também sediada em Schroeder.
O grupo já havia enfrentado outra crise. Em outubro de 2015, a 3ª Vara Cível de Joinville aceitou o pedido de recuperação judicial da Nova Participações, da Nova Motores e Geradores Elétricos (nome antigo da fábrica de Schroeder), da Nova Fios Esmaltados e da Nova Fundição e Comércio de Metais. Em 2019, a Justiça aprovou o plano de pagamento aos credores e concedeu a recuperação. Uma filial em Joinville teve o cadastro baixado na Receita em junho de 2016.
Em setembro de 2023, a fábrica ainda produzia. Naquele mês, o vice-prefeito de Schroeder, Lauro Tomczak (PP), visitou a empresa, foi recebido por Paulo Goh Morita e publicou um vídeo da linha de produção. Nesta quinta-feira, o site da Morita Motors e o perfil da empresa no Instagram estavam fora do ar.
Principais informações
- A Nova Motores e Fios, dona da marca Morita Motors, encerrou as atividades em Schroeder (SC)
- Mais de 80 trabalhadores foram demitidos sem justa causa, com aviso-prévio indenizado
- A empresa apresentou pedido de autofalência à Justiça, que ainda vai analisar o caso
- Documentos para FGTS e seguro-desemprego ficarão no sindicato da categoria, em data a divulgar
- O grupo teve recuperação judicial aceita em 2015 e plano de pagamento aprovado em 2019

