Colunista vê onda de direita global e liga cenário internacional ao voto brasileiro de domingo

Em artigo publicado na Sentido Horário, o colunista Márcio Coimbra defende que o mundo passa por uma reconfiguração política marcada pela sequência de vitórias de forças de direita e de centro-direita em países de diferentes continentes. Segundo ele, esse movimento altera o equilíbrio de poder internacional e, por consequência, as condições em que o Brasil decide seu futuro no pleito deste domingo, 25 de outubro.
O texto situa o início dessa onda em 2016, com o Brexit no Reino Unido e a primeira eleição de Donald Trump nos Estados Unidos. Para o colunista, os dois episódios romperam a premissa de que globalização e multilateralismo eram processos irreversíveis e recolocaram no centro do debate temas como soberania, controle de fronteiras e prioridade aos interesses nacionais.
Na Europa, o artigo cita a chegada de Giorgia Meloni ao poder na Itália em 2022, com agenda explicitamente de direita e popularidade alta apesar de resistências de instituições europeias. Menciona ainda o avanço do Rassemblement National de Marine Le Pen na França, que o colunista aponta como favorito ao Élysée, o crescimento da AfD na Alemanha e a recuperação da Presidência na Polônia pelos conservadores, com Karol Nawrocki, enquanto Donald Tusk mantém a força da direita liberal no país.
Nos Estados Unidos, a reeleição de Trump em 2024 é descrita como um reposicionamento que colocou o país em uma postura de reindustrialização e de contenção da China, além de tratar migração e segurança de fronteiras como questões de soberania nacional. Esse direcionamento, segundo o texto, produziu efeito cascata sobre a política de toda a região.
Na América Latina, o artigo identifica o ponto de inflexão na chegada de Nayib Bukele à Presidência de El Salvador, em 2019, a quem atribui a transformação do país de um dos mais violentos do mundo em um dos mais seguros. Em seguida, cita a manutenção do Partido Colorado no poder no Paraguai, com Santiago Peña, em 2023, e a vitória de Rodrigo Paz na Bolívia em 2025, que encerrou décadas de domínio do MAS com uma plataforma de capitalismo para todos e redução drástica do peso do Estado.
O colunista acrescenta a vitória de Keiko Fujimori no Peru em 2026, que alinharia o país ao bloco conservador regional, e soma esses resultados às vitórias de Milei na Argentina, Kast no Chile e Abelardo de la Espriella na Colômbia. Ele afirma que esse bloco não resulta de conspiração, mas de respostas a problemas comuns, e que a comunicação digital ampliou narrativas alternativas ao permitir a comparação de resultados entre países.
Sobre o Brasil, o texto sustenta que o primeiro turno já indicou o humor das urnas, com ampliação de bancadas de direita no Congresso e Flávio Bolsonaro na liderança para a rodada final. O colunista avalia que o resultado dialoga com o ambiente internacional, em que eleitores priorizam ordem, pragmatismo e menor adesão ao ativismo estatal, e conclui que o pleito deste domingo se insere em um ciclo global de redefinição de prioridades.
Márcio Coimbra é CEO da Casa Política e presidente-executivo do Instituto Monitor da Democracia, mestre em Ação Política pela Universidad Rey Juan Carlos (2007) e ex-diretor da Apex-Brasil e do Senado Federal.
Principais informações
- Colunista afirma que vitórias de direita e centro-direita em diferentes continentes alteram o equilíbrio de poder internacional
- O texto aponta 2016, com o Brexit e a primeira eleição de Trump, como marco inicial do movimento
- Na Europa, cita Meloni na Itália, Le Pen na França, a AfD na Alemanha e Karol Nawrocki na Polônia
- Na América Latina, menciona Bukele, Santiago Peña, Rodrigo Paz, Keiko Fujimori, Milei, Kast e Abelardo de la Espriella
- Sobre o Brasil, diz que a direita ampliou bancadas no Congresso e que Flávio Bolsonaro lidera para a rodada final

