Lulinha indica como endereço em SP apartamento de suposto laranja avaliado em até R$ 16 milhões

Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, informou como endereço em São Paulo um apartamento na Vila Uberabinha, perto do Parque Ibirapuera, registrado em nome de Jonas Leite Suassuna Filho, apontado como suposto laranja no caso do sítio de Atibaia. A procuração com a indicação foi incluída no processo que pede a abertura de sigilos fiscal e bancário.
O imóvel fica na Avenida Juriti, em região nobre da capital paulista. Anúncios de mercado mostram apartamentos semelhantes no mesmo edifício sendo oferecidos por preços entre R$ 10 milhões e R$ 16 milhões.
O dado foi destacado por Deltan Dallagnol (Novo-PR), ex-coordenador da Lava Jato e senador eleito, que chamou atenção para a ligação entre Lulinha e Suassuna. Os dois foram sócios na Gamecorp e na BR4 Participações. A Gamecorp atuava em conteúdo e entretenimento e mantinha contratos com a Oi.
Suassuna aparecia formalmente como um dos proprietários do sítio de Atibaia, e a Lava Jato demonstrou que o dono real da propriedade era Lula (PT). Na época, a Polícia Federal e o Ministério Público apontaram indícios de que o apartamento e o sítio teriam sido adquiridos ou reformados com recursos provenientes de propinas.
Segundo a Lava Jato, Suassuna comprou o apartamento em 2009 por cerca de R$ 3 milhões, e o imóvel passou por reforma estimada em R$ 1,6 milhão. Lulinha passou a morar no local em 2013 e alegava pagar aluguel de R$ 15 mil por mês, valor abaixo do mercado. A Receita Federal estimou o aluguel de mercado em cerca de R$ 40 mil. Registros de quebra de sigilo da época indicaram que nem todos os aluguéis foram quitados no período analisado.
Procuradores da força-tarefa afirmaram haver indícios de que o imóvel foi comprado para servir especificamente de moradia a Lulinha, de forma semelhante ao sítio de Atibaia.
A menção ao endereço surge na disputa eleitoral de 2026. Lula se comprometeu a apresentar documentos de sigilo, seus e de pessoas próximas, incluindo Lulinha, em processo que envolve também a campanha de Flávio Bolsonaro. Dallagnol integra, pela campanha opositora, a análise desses documentos e ressaltou que a informação surgiu antes da entrega completa dos papéis.
A relação entre Lulinha e Suassuna já havia voltado a circular em reportagens recentes, que citaram transferências financeiras do filho do presidente ao empresário somando cerca de R$ 700 mil. Em investigações anteriores, a família e os envolvidos sempre sustentaram que as relações seriam legítimas, enquanto a Lava Jato apontava esquemas de favorecimento.
Principais informações
- Lulinha indicou como endereço em SP apartamento registrado em nome de Jonas Suassuna, apontado como suposto laranja no caso do sítio de Atibaia.
- Imóvel na Vila Uberabinha, próximo ao Ibirapuera, tem similares anunciados entre R$ 10 milhões e R$ 16 milhões.
- Deltan Dallagnol destacou a informação no processo de abertura de sigilos fiscais e bancários.
- Lulinha e Suassuna foram sócios na Gamecorp e na BR4 Participações.
- Lulinha morava no imóvel desde 2013 e alegava pagar R$ 15 mil de aluguel, ante os cerca de R$ 40 mil estimados pela Receita Federal.

