Professora é afastada em Potirendaba (SP) após dizer a alunos que morreriam em governo de Flávio Bolsonaro

Uma professora da rede municipal de Potirendaba, no interior de São Paulo, foi afastada depois de afirmar em sala de aula, para crianças de 11 anos, que os alunos morreriam caso Flávio Bolsonaro (PL-RJ) chegasse ao poder. As declarações foram registradas pelas câmeras da escola.
O caso está sendo analisado pelo Ministério Público do Trabalho, pelo Juiz da Infância e da Juventude e pelo Conselho Tutelar. A prefeitura também abriu procedimento administrativo para apurar o episódio.
As imagens vieram a público pela prefeita da cidade, Gislaine Franzotti (PL), que as divulgou em suas redes sociais. Segundo ela, o caso chegou ao conhecimento da administração pelo relato de uma mãe, cuja filha voltou para casa chorando e contou o que havia ocorrido na aula. A prefeita determinou a análise do material e defendeu o uso de câmeras em escolas e creches, afirmando que os equipamentos permitiram comprovar o que aconteceu.
Durante a aula, uma criança perguntou o significado de fascismo. A docente respondeu que a doutrina representa a extrema direita e prega o lema “Deus, Pátria e Família”. Questionada por um estudante se o conceito tinha relação com o senador, respondeu “mesma coisa” e afirmou que era o que Flávio Bolsonaro e Jair Bolsonaro queriam fazer, dizendo haver risco de o país entrar em “uma era dessa, só de brancos e ricos”.
De acordo com o relato, a professora usou a cor da pele e características físicas dos estudantes para indicar quem sobreviveria ou morreria em um eventual governo do senador. Disse a um aluno pardo que ele morreria e, sobre outro, afirmou que sobreviveria por ser “loirinho de olho claro”. A uma terceira criança, que perguntou se também morreria, respondeu que sim, mencionando “um pezinho na senzala”.
Em nota, a prefeitura informou ter recebido relatos de declarações que provocaram medo e abalo emocional nas crianças e confirmou o acionamento das autoridades. A administração declarou que não aceita discriminação nem condutas que causem intimidação ou sofrimento aos alunos e afirmou que o ensino de temas como o nazismo e o Holocausto exige responsabilidade pedagógica.
A prefeitura disse ainda que vai preservar a identidade dos estudantes e que divulgará novas informações no momento oportuno, porque o procedimento envolve menores de idade e segue em andamento.
Principais informações
- Professora da rede municipal de Potirendaba (SP) foi afastada após falas a alunos de 11 anos sobre um eventual governo de Flávio Bolsonaro
- As declarações foram gravadas pelas câmeras da escola e divulgadas pela prefeita Gislaine Franzotti (PL)
- Segundo o relato, a docente usou cor da pele e características físicas dos alunos para dizer quem sobreviveria ou morreria
- Ministério Público do Trabalho, Juiz da Infância e da Juventude e Conselho Tutelar acompanham o caso
- A prefeitura abriu procedimento administrativo e afirmou que não aceita discriminação nem condutas que causem sofrimento aos estudantes

