Entre os países mais seguros do ranking, nenhum adota inimputabilidade penal até os 18 anos

Entre os países mais seguros do ranking, nenhum adota inimputabilidade penal até os 18 anos

Nenhum dos dez países mais bem colocados no Global Peace Index de 2026 adota a inimputabilidade penal absoluta até os 18 anos, modelo vigente no Brasil, que ocupa a 124ª posição do ranking. O tema está em discussão no Congresso.

A lista é encabeçada por Islândia, Nova Zelândia, Suíça, Eslovênia, Irlanda, Áustria, Portugal, Singapura, Finlândia e Japão. As idades de responsabilidade penal vão de 10 anos, na Suíça, a 16, em Portugal; Islândia e Finlândia fixam 15, Eslovênia, Áustria e Japão adotam 14, e Nova Zelândia (10 a 14), Irlanda (10 a 12) e Singapura (10 a 12, com avaliação de maturidade) variam conforme o caso.

No Brasil, a maioridade penal é de 18 anos. O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) prevê medidas socioeducativas para adolescentes de 12 a 18 anos incompletos, com internação máxima de três anos e liberação compulsória aos 21.

Dados do Conselho Nacional de Justiça apontam mais de 11 mil adolescentes e jovens em medidas socioeducativas no país, sendo mais de 8 mil em regime de internação.

Além da idade, as penas divergem: Irlanda e Singapura preveem detenções mais longas, incluindo prisão perpétua em casos de homicídio qualificado.

Em 2018, na Irlanda, um adolescente de 13 anos atraiu Ana Kriégel, de 14, a uma casa abandonada, onde ele e outro garoto da mesma idade a assassinaram. O crime foi premeditado, com a vítima enganada e levada a um local isolado, onde sofreu agressões violentas na cabeça e no pescoço e violência sexual.

O julgamento terminou em 2019 com os dois condenados. Um recebeu prisão perpétua, com revisão após 12 anos; o outro, 15 anos de detenção, com revisão após oito. O juiz afirmou que ambos entendiam a natureza e as consequências dos atos.

No Senado, uma proposta reduz a maioridade para 16 anos na maior parte dos crimes e para 14 em casos como tráfico de drogas e organização criminosa. O texto é analisado como emenda à PEC da Segurança.

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), retirou a PEC da Segurança Pública da pauta do plenário em outubro, por falta de consenso e impasses nas emendas. A discussão principal ficou para depois das eleições.

Rogério Marinho (PL-RN) propôs redução para 16 anos como regra geral e 14 para crimes hediondos. A base governista, por meio de Camilo Santana (PT), apresentou alternativa com restrições pontuais. Relatores e líderes discutem fatiar o texto para não atrasar a tramitação e evitar o retorno obrigatório à Câmara.

Principais informações

  • Nenhum dos dez países mais seguros do Global Peace Index de 2026 é totalmente inimputável até os 18 anos.
  • O Brasil ocupa a 124ª posição no ranking e fixa a maioridade penal aos 18 anos.
  • O ECA limita a internação a três anos, com liberação compulsória aos 21.
  • Proposta em análise no Senado prevê redução para 16 anos, e para 14 em crimes específicos.
  • A PEC da Segurança Pública foi retirada da pauta do plenário do Senado em outubro.

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