Presos e familiares trocam quase 1 milhão de cartas em unidades prisionais do Oeste Paulista

As unidades prisionais da região de Presidente Prudente (SP) movimentaram quase 1 milhão de cartas trocadas entre detentos e familiares entre janeiro e setembro de 2026, segundo dados da Secretaria da Administração Penitenciária (SAP) repassados ao Sentido Horário.
Nas unidades da Coordenadoria de Execução Penal da Região Oeste do estado (Ceproeste), que reúne 36 complexos penais e unidades prisionais, foram enviadas 539.818 correspondências e recebidas 431.769 no período.
O volume é menor que o registrado nos anos anteriores na mesma coordenadoria. Em 2025, foram 625.345 correspondências enviadas e 512.400 recebidas; em 2024, 637.978 enviadas e 530.957 recebidas.
Considerando todas as unidades prisionais de São Paulo, a SAP contabilizou, em 2025, mais de 1,6 milhão de cartas enviadas e 1,6 milhão recebidas. Em 2024, foram 1,5 milhão enviadas e quase 1,5 milhão recebidas.
Conforme a Polícia Penal do Estado de SP, as correspondências recebidas e expedidas pelos presos passam pelos setores de Portaria e Segurança. Antes da entrega, há conferência da identificação de remetente e destinatário, inspeção física e outros procedimentos de fiscalização. Quando há indícios de irregularidade, a SAP adota as providências administrativas cabíveis.
A pasta informou que não há quantidade fixa de servidores exclusivamente dedicada a essa atividade, executada por policiais penais designados conforme a necessidade do serviço, e que não é possível contabilizar individualmente as correspondências de cada pessoa presa, apenas o total movimentado.
O chefe de Serviço Regional Oeste do Programa de Atenção à Pessoa Egressa e Família, Jean Zocatelli, afirmou que a troca de cartas é um direito assegurado pela Lei de Execução Penal e funciona como instrumento de preservação e fortalecimento dos vínculos familiares durante o período de privação de liberdade.
Entre as detentas que trocam cartas com a família está a advogada e influenciadora Deolane Bezerra, presa em Tupi Paulista (SP). Em uma correspondência enviada à mãe, Solange Bezerra, e divulgada nas redes sociais em 8 de setembro, ela diz que está bem e que foi alvo de uma "acusação falsa". Deolane está presa desde maio pela Operação Vérnix, que apura um esquema de lavagem de dinheiro para o Primeiro Comando da Capital (PCC).
Se por escrito a comunicação se mantém, por telefone houve dificuldades. No início de outubro, famílias relataram ao Sentido Horário que não conseguiam contato com a Penitenciária Feminina de Tupi Paulista, que tem ao menos 12 números com o código 018 de Discagem Direta à Distância (DDD) fora de funcionamento. Os contatos eram feitos para tratar da renovação da carteirinha de visitação, de documentação e da situação das reeducandas.
A SAP afirmou que as linhas da unidade apresentavam instabilidade por falhas em equipamentos externos e que os reparos estavam sendo feitos pelo setor técnico competente. Segundo as famílias, o serviço foi normalizado em 13 de outubro, depois de ficarem sem conseguir contato desde 4 de setembro, data que a pasta confirmou como a do restabelecimento do sistema de telefonia.
A Polícia Penal informou que os canais digitais da penitenciária seguem ativos. A SAP orientou que os atendimentos a familiares e ao público externo fossem feitos por WhatsApp automatizado, no número (18) 3851-9628, e pelo e-mail pftupi@sp.gov.br.
Principais informações
- Ceproeste, com 36 complexos penais e unidades prisionais, teve 539.818 cartas enviadas e 431.769 recebidas de janeiro a setembro de 2026
- Em 2025, a coordenadoria registrou 625.345 envios e 512.400 recebimentos; em 2024, 637.978 e 530.957
- Em todo o estado de São Paulo, foram mais de 1,6 milhão de cartas enviadas e 1,6 milhão recebidas em 2025
- Cartas passam por conferência de identificação, inspeção física e fiscalização nos setores de Portaria e Segurança
- Familiares relataram falta de contato telefônico com a Penitenciária Feminina de Tupi Paulista entre setembro e outubro

