Relatório da PM aponta que GSI e PF descumpriram ordem do TRE-SP em ato de Lula na Paulista

Um relatório oficial da Polícia Militar de São Paulo aponta que militares do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência e agentes da Polícia Federal teriam descumprido uma decisão da Justiça Eleitoral durante o ato de campanha de Lula realizado em 3 de outubro na Avenida Paulista, na véspera do primeiro turno. O documento foi encaminhado ao Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo pela cadeia de comando da corporação.
De acordo com o relatório, integrantes do GSI instalaram grades para bloquear duas faixas da avenida por volta das 9h, antes do início oficial da caminhada. Uma viatura da Polícia Federal foi posicionada diante de um caminhão de som, impedindo que o veículo fosse deslocado conforme as orientações dos policiais paulistas. Uma imagem de câmera corporal de um PM registrou o bloqueio atribuído à PF e ao GSI.
A decisão citada foi concedida em 1º de outubro pela juíza Maria Cláudia Bedotti, do TRE-SP, que atendeu parcialmente a uma liminar pedida pela coligação Desperta São Paulo, formada por PT, PSB, PDT e PSOL. O grupo havia recorrido contra uma determinação da Subprefeitura da Sé que, segundo os organizadores, inviabilizaria o trajeto previsto. A magistrada autorizou a manifestação entre 10h e 13h, com deslocamento pela Rua Augusta em direção ao centro da capital, mas impôs condições para preservar a circulação de veículos na Avenida Paulista, na Rua Augusta e nos acessos, o cumprimento das orientações operacionais da PM e da Companhia de Engenharia de Tráfego e a proibição de estruturas que comprometessem o transporte de urnas eletrônicas, equipamentos e servidores da Justiça Eleitoral.
O documento também descreve a atuação do coronel da reserva da Polícia Militar do Distrito Federal Rogério Brito de Miranda, ex-integrante do GSI contratado pela campanha presidencial do PT. Conforme o relatório, os primeiros conflitos ocorreram em 2 de outubro, em reunião de planejamento no 8º Batalhão de Polícia do Exército, em São Paulo, que tratou das medidas para a participação de Lula e do vice Geraldo Alckmin no ato. Miranda teria exigido o fechamento imediato da Avenida Paulista; oficiais da PM se opuseram alegando as restrições judiciais, e ele teria respondido que a segurança do evento estava sob responsabilidade do GSI. Segundo o relatório, o coronel já não integrava o órgão desde agosto de 2026 e atuava como contratado da campanha, informação que ele próprio teria confirmado durante a manifestação, em declaração gravada por câmera corporal.
O relatório relata ainda que um militar identificado como major Eliezer afirmou que faria o fechamento e orientou um oficial da PM a procurar um comandante chamado Sobral ou o coronel Miranda, e que os integrantes do GSI insistiram no bloqueio mesmo após serem informados da decisão judicial. Também são citados episódios de hostilidade contra os militares durante as tentativas de liberar a passagem dos veículos: o advogado Marco Aurélio Carvalho, apontado como um dos responsáveis pela organização da caminhada, teria dirigido ofensas a uma oficial da PM, e uma gravação feita às 10h27 registraria a reação de um coordenador da campanha à ordem de deslocamento.
As acusações constam de um documento administrativo oficial e ainda dependem de apuração pelas autoridades competentes. Os documentos analisados não apresentam as versões do GSI, da Polícia Federal nem dos organizadores citados, e a reportagem busca esclarecimentos dos envolvidos.
Principais informações
- Relatório da PM aponta descumprimento de decisão do TRE-SP por GSI e Polícia Federal em ato de Lula na Avenida Paulista, em 3 de outubro
- GSI teria instalado grades bloqueando duas faixas da avenida antes do início da caminhada, e viatura da PF barrou um caminhão de som
- Decisão da juíza Maria Cláudia Bedotti autorizou a manifestação entre 10h e 13h, mas impôs condições para preservar a circulação de veículos
- Relatório cita o coronel Rogério Brito de Miranda, ex-GSI e contratado pela campanha do PT, que teria exigido o fechamento da Paulista
- Documento foi enviado ao TRE-SP e as acusações ainda dependem de apuração; GSI, PF e organizadores não apresentaram versões

