PT se frustra com pesquisa Quaest e vê Lula sem avanço sobre Flávio Bolsonaro

A pesquisa Quaest divulgada nesta quarta-feira, 14, mostrou o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) com 46% das intenções de voto e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva com 44%, em empate técnico. A margem de erro é de dois pontos percentuais, e o instituto ouviu 2.154 eleitores entre 10 e 13 de outubro.
O resultado frustrou dirigentes do PT, que esperavam ver Lula à frente do adversário após o anúncio de medidas de apelo popular e a mobilização digital do deputado André Janones. Segundo a apuração, a preocupação é que o presidente tenha dificuldade para superar o patamar atual de votos.
Parte da frustração está no volume de recursos mobilizados pelo governo desde o primeiro turno. Lula anunciou medidas econômicas com impacto estimado em R$ 25,8 bilhões até 2027, na aposta de que se converteriam em votos, sobretudo entre famílias de baixa renda e pequenos empreendedores.
Em setembro, o valor mínimo do Bolsa Família subiu de R$ 600 para R$ 691, reajuste de 15%, e o benefício médio estimado passou de R$ 675 para R$ 777. Os novos pagamentos começam em 19 de outubro, seis dias antes do segundo turno.
Na terça-feira, 13, Lula anunciou um pacote para microempreendedores individuais. Entre as medidas estão o perdão de cerca de R$ 12,6 bilhões em dívidas tributárias, que pode alcançar 3,6 milhões de pessoas, a criação do Pix MEI, com repasses de até R$ 5 mil para investimentos, uma nova modalidade de renegociação de dívidas bancárias, a proposta de aumento do limite anual de faturamento e a autorização para contratar até dois empregados.
Parte das iniciativas depende de aprovação do Congresso ou de regulamentação, e os repasses do Pix MEI ainda não têm data definida. O governo também anunciou a ampliação do Pé-de-Meia para universitários, subsídios temporários aos combustíveis e novas condições de renegociação de dívidas.
Dirigentes avaliam que o governo já apresentou as medidas de maior apelo de que dispunha e temem que Lula chegue à última semana de campanha sem iniciativas capazes de alterar as pesquisas.
A atuação de Janones também decepcionou. O deputado organizou uma ofensiva digital no canal de WhatsApp "Exército do Lula", que ultrapassou 4 milhões de seguidores e passou a orientar a militância a divulgar conteúdo favorável ao presidente e responder a publicações de adversários, inclusive com fake news. Apesar do alcance, os petistas não identificaram na pesquisa o avanço eleitoral que projetavam.
A frustração é maior porque a Quaest realiza para o PT pesquisas diárias de acompanhamento, os trackings. Na pesquisa de 3 de outubro, o instituto apontou Lula com 46% dos votos válidos e Flávio com 45%; nas urnas, o senador teve 47,03% contra 45,15% do presidente. Para os dirigentes, o histórico sugere que o instituto subestima Flávio e superestima Lula.
Principais informações
- Quaest aponta Flávio Bolsonaro com 46% e Lula com 44%, em empate técnico, com margem de erro de dois pontos
- O levantamento ouviu 2.154 eleitores entre 10 e 13 de outubro
- O governo anunciou medidas com impacto estimado em R$ 25,8 bilhões até 2027 desde o primeiro turno
- O pacote para MEIs inclui perdão de cerca de R$ 12,6 bilhões em dívidas tributárias e o Pix MEI, com repasses de até R$ 5 mil
- Petistas temem que Lula chegue à última semana de campanha sem novas iniciativas capazes de mudar as pesquisas

