Protestos estudantis na França reúnem até 450 mil e têm 488 detidos em um dia

Protestos estudantis na França reúnem até 450 mil e têm 488 detidos em um dia

Estudantes do ensino médio levaram milhares de pessoas às ruas da França nesta terça-feira, 6, em uma nova jornada de protestos contra as condições das escolas. A mobilização ocorreu em mais de 40 cidades e reuniu jovens, professores, pais e outros apoiadores.

Os números da participação divergem. O Ministério do Interior contabilizou cerca de 260 mil manifestantes, enquanto as organizações estudantis estimaram até 450 mil participantes.

O movimento começou em setembro, na região de Paris, e se espalhou pelo país. Entre as reivindicações estão a falta de professores, salas superlotadas, jornadas longas e condições precárias de parte das instalações, além de críticas à organização do sistema de orientação para o ensino superior.

Cerca de metade dos 3,7 mil colégios franceses enfrentou bloqueios ou interrupções durante a mobilização, que ganhou o apoio de professores, sindicatos e familiares. Publicações em redes sociais sobre os protestos citaram duas semanas de confrontos, carros incendiados e lojas saqueadas.

A jornada também foi marcada por confrontos em algumas cidades. A polícia usou gás lacrimogêneo e jatos d'água para dispersar manifestantes, e 488 pessoas foram detidas apenas nesta terça-feira, segundo o Ministério do Interior. Desde o início da mobilização, mais de 6,5 mil pessoas foram detidas.

Os confrontos deixaram centenas de feridos. Dados divulgados pelo governo apontam mais de 700 policiais machucados, 215 estudantes e 85 profissionais da educação. Um adolescente de 15 anos perdeu uma das mãos em um episódio que envolveu uma granada, o que provocou críticas de organizações internacionais e abriu investigações sobre a atuação das forças de segurança.

O primeiro-ministro Sébastien Lecornu reconheceu que as reivindicações dos estudantes são legítimas. O governo anunciou medidas para discutir a substituição de professores, a manutenção dos prédios e a organização do tempo escolar.

A crise ocorre enquanto o governo prepara o Orçamento de 2027. A França enfrenta forte pressão fiscal e elevado endividamento público, cenário que dificulta a ampliação dos gastos com educação justamente quando os estudantes cobram mais recursos para as escolas.

Principais informações

  • Protestos estudantis ocorreram em mais de 40 cidades da França nesta terça-feira, 6.
  • Ministério do Interior contabilizou 260 mil manifestantes; organizações estudantis estimaram até 450 mil.
  • 488 pessoas foram detidas no dia, e mais de 6,5 mil desde o início da mobilização, em setembro.
  • Confrontos deixaram mais de 700 policiais, 215 estudantes e 85 profissionais da educação feridos.
  • O primeiro-ministro Sébastien Lecornu considerou as reivindicações legítimas e o governo anunciou medidas para discutir as demandas.

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