EUA negam vistos a integrantes da delegação iraniana para a Assembleia Geral da ONU

EUA negam vistos a integrantes da delegação iraniana para a Assembleia Geral da ONU

Os Estados Unidos negaram vistos a integrantes da delegação do presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, entre eles membros de sua equipe de comunicação, para a viagem à Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas, em Nova York, nesta semana. A informação foi divulgada pela agência estatal iraniana IRNA nesta segunda-feira, 21.

A agência classificou a decisão de Washington como uma "medida hostil sem precedentes".

A negativa dos vistos ocorre em um momento de endurecimento do discurso do presidente americano, Donald Trump, contra Teerã. Em entrevista à Fox News no domingo, 20, ele afirmou que as opções sobre a mesa são "aniquilar o Irã", deixar a economia iraniana "apodrecer" ou fechar um acordo, e acrescentou: "É melhor que se comportem". Segundo o correspondente da Fox News Trey Yingst, que relatou as declarações, Trump disse estar em "modo de decisão" e que "coisas muito grandes" podem acontecer em breve.

O Departamento de Estado americano autorizou a viagem da delegação iraniana, mas, como no ano passado, impôs restrições aos integrantes, que não poderão comprar produtos de luxo ou outros artigos durante a estadia. O secretário de Estado, Marco Rubio, afirmou que a delegação é menor do que a do ano anterior.

De acordo com a agência Mehr, que citou um porta-voz da Presidência iraniana, Pezeshkian discursará na quarta-feira, 23, na Assembleia Geral.

Teerã reagiu com ameaças diretas. O comando militar Khatam al-Anbia alertou que qualquer investida americana acionará retaliações imediatas contra alvos dos Estados Unidos no Oriente Médio. "Se os EUA cometerem qualquer erro contra a República Islâmica do Irã, nossas forças atacarão todas as posições e interesses americanos na região de forma sustentada, eficaz e dolorosa", divulgou a agência estatal Tasnim.

Sobre o Estreito de Ormuz, o Irã informou aos Estados Unidos, por meio do Catar, suas condições para reabrir a rota, por onde transitavam 20% do petróleo e do gás do planeta antes da guerra. As exigências incluem o fim do conflito em todas as frentes, o desbloqueio dos fundos iranianos congelados e a suspensão do bloqueio naval imposto por Washington. Em resposta, os Estados Unidos mantêm um contrabloqueio aos portos iranianos.

O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, que integra a comitiva, deixou Teerã na noite de domingo com escala no Catar.

A Assembleia Geral da ONU segue até 26 de setembro e será retomada em 28 de setembro.

Principais informações

  • EUA negaram vistos a integrantes da delegação de Masoud Pezeshkian para a Assembleia Geral da ONU, em Nova York
  • A informação foi divulgada pela agência estatal iraniana IRNA nesta segunda-feira, 21
  • Trump disse à Fox News que as opções são "aniquilar o Irã", deixar sua economia "apodrecer" ou fechar um acordo
  • O comando militar Khatam al-Anbia ameaçou retaliar alvos americanos no Oriente Médio em caso de investida dos EUA
  • O Irã apresentou, via Catar, condições para reabrir o Estreito de Ormuz, e os EUA mantêm contrabloqueio aos portos iranianos

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