Lula associa vermelho do PT ao sangue de Cristo em encontro com pastores evangélicos

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou, em encontro com pastores evangélicos do Brasil e dos Estados Unidos realizado na quarta-feira (16), que o vermelho do partido faz referência ao sangue de Cristo e que sua barba teria inspiração em Jesus. As declarações provocaram reações negativas em setores cristãos.
Na reunião, Lula declarou: “Passei anos tendo que explicar a cor da bandeira do meu partido, eu utilizava o sangue de Cristo como exemplo do vermelho da minha bandeira. Depois, questionaram a estrela do meu partido, e passei a vida inteira mostrando que os grandes navegadores da história da humanidade utilizavam a estrela como guia para atravessar os mares. Depois, passei a explicar a minha barba. Por que eu tinha barba? Eu falava que Jesus Cristo era barbudo.”
As falas foram criticadas por fiéis e lideranças religiosas, que as classificaram como uso indevido de símbolos sagrados. Para os críticos, a associação entre a simbologia do partido e elementos do cristianismo é encarada como desrespeito à fé, considerando a trajetória política da sigla.
Apesar do discurso com apelo religioso dirigido aos pastores, o presidente assegurou que não aceita convites para fazer comícios em templos. Segundo ele, a religião é sagrada e merece respeito. “Eu respeito muito o compromisso individual que cada pessoa tem com Deus. Então, não me convide para ir a uma assembleia fazer um comício que eu não vou. Não vou nem da católica, nem da evangélica. Eu respeito a fé das pessoas. Se eu quiser fazer política e comício, eu faço na rua, mas na igreja eu não faço”, disse.
Lula também repetiu uma afirmação que já havia feito em outras ocasiões: a de que seria o ser humano com quem Deus teria sido mais generoso. Para sustentar a declaração, citou a própria trajetória, desde a infância em Pernambuco, passando pela mudança para São Paulo, até as vitórias que o conduziram à Presidência da República.
O encontro ocorre em meio a desvantagem do presidente entre o eleitorado evangélico. Pesquisa Quaest aponta que, em um cenário de segundo turno entre Lula e o senador Flávio Bolsonaro (PL), 51% dos evangélicos preferem o senador, enquanto 28% declaram voto no petista.
O levantamento ouviu 2.004 pessoas de 16 anos ou mais, em entrevistas a domicílio, entre os dias 10 e 13 de setembro. A margem de erro é de dois pontos percentuais, com nível de confiança de 95%. A pesquisa está registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o protocolo BR-03607/2026.
Principais informações
- Lula associou o vermelho do PT ao sangue de Cristo e disse que sua barba teria inspiração em Jesus
- As declarações, feitas a pastores evangélicos do Brasil e dos EUA, provocaram reações negativas em setores cristãos
- O presidente afirmou que não faz comícios em igrejas, católicas ou evangélicas
- Pesquisa Quaest indica que 51% dos evangélicos preferem Flávio Bolsonaro e 28% votam em Lula em cenário de segundo turno
- O levantamento ouviu 2.004 pessoas entre 10 e 13 de setembro, com margem de erro de dois pontos percentuais

