Huawei enfrenta julgamento em Nova York sob acusação de fraude e roubo de segredos comerciais

Huawei enfrenta julgamento em Nova York sob acusação de fraude e roubo de segredos comerciais

A Huawei Technologies começou a enfrentar nesta semana, em Nova York, um julgamento criminal por acusações de conspiração para subtrair segredos comerciais dos Estados Unidos e de cometer fraude bancária e fraude eletrônica. A seleção do júri começou na terça-feira (8) e as declarações iniciais estão previstas para quarta-feira (9).

Segundo a promotoria, a companhia e suas subsidiárias fizeram negócios com a Coreia do Norte, desrespeitando sanções americanas. A acusação também afirma que a Huawei instalou equipamentos de vigilância que teriam ajudado o Irã a monitorar manifestantes durante os protestos antigovernamentais de 2009.

Entre as acusações de fraude, promotores dizem que a Huawei usou a Skycom, uma empresa de fachada baseada em Hong Kong, para vender equipamentos ao Irã. O processo envolve ainda a diretora financeira Meng Wanzhou, filha do fundador, acusada de enganar o HSBC sobre as operações da empresa no Irã.

Meng foi detida no Canadá no fim de 2018, após pedido de extradição dos EUA, e libertada em setembro de 2021, depois de acordo que retirou o pedido e arquivou as acusações de fraude contra ela.

Em comunicado, a Huawei chamou a narrativa dos promotores de 'demonstravelmente falsa' e disse que seu sucesso se baseia em investimentos de longo prazo em inovação e no respeito à propriedade intelectual. A defesa tentou arquivar o processo, alegando que as acusações são vagas e que os EUA buscam estender sua autoridade para além das fronteiras.

A empresa, maior fornecedora mundial de equipamentos para redes de telecomunicações sem fio, está proibida de vender seus produtos a operadoras dos EUA por razões de segurança nacional e está em listas de restrição no Canadá e no Reino Unido. A pressão sobre a fabricante cresceu no primeiro governo de Donald Trump e as acusações foram expandidas desde o anúncio inicial, no início de 2019.

Funcionários de setores ligados à China disseram que os EUA praticam 'bullying econômico', usando preocupações de segurança nacional como pretexto para oprimir empresas chinesas no cenário global.

Principais informações

  • Julgamento criminal da Huawei começou em Nova York com seleção de júri na terça-feira (8).
  • Promotoria acusa empresa de roubo de segredos comerciais, fraudes e negócios com Coreia do Norte e Irã.
  • Skycom, citada como empresa de fachada em Hong Kong, teria sido usada para vender equipamentos ao Irã.
  • Diretora financeira Meng Wanzhou foi presa no Canadá e liberada em 2021 após acordo.
  • Huawei nega acusações e classifica narrativa dos promotores como 'demonstravelmente falsa'.

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