Universitária relata crise de ansiedade ao se ver em ‘ranking’ sexual com fotos de alunas em Presidente Prudente

Universitária relata crise de ansiedade ao se ver em 'ranking' sexual com fotos de alunas em Presidente Prudente

Uma universitária de Presidente Prudente (SP) contou que passou por uma crise de ansiedade ao descobrir que a própria foto integrava um 'ranking' de teor sexual e depreciativo compartilhado em grupos de mensagens. O caso é apurado pela Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) e pela Universidade do Oeste Paulista (Unoeste).

Em relato à TV TEM e ao g1, a jovem, que não quis se identificar, disse que soube do caso na tarde de quinta-feira (20) por meio de uma nota de repúdio publicada pela atlética da universidade. Ao olhar as imagens, ela reconheceu colegas de sala e depois a si mesma. "Fiquei muito triste. Isso me deixou com uma crise de ansiedade, eu não sabia o que fazer", afirmou. Ela estava sozinha e disse ter se sentido desamparada.

A jovem também revelou que o autor da edição das imagens era um amigo de turma, que sentava ao seu lado. "É algo nojento, esdrúxulo. Quando acontece, a gente fica completamente sem chão", desabafou. Ela destacou a importância de buscar apoio policial e institucional.

Outra universitária afirmou que todas as alunas, mesmo as que não apareceram nas fotos, se sentem "vulneráveis e indignadas". A universidade fez uma reunião com estudantes e ofereceu suporte de saúde mental. Até o fim da tarde de sexta-feira (21), a Polícia Civil confirmou seis vítimas identificadas e cinco suspeitos investigados.

Segundo a investigação, as fotos foram retiradas das redes sociais sem autorização e distribuídas em um grupo fechado, com comentários ofensivos e classificações como "deliciosíssima", "comível" e "arrebentaria". Em uma das mensagens, um participante afirmou: "Tirei as lésbicas e as gordas".

O vazamento gerou protestos na porta da instituição. Na noite de quinta-feira, um ato com cartazes e faixas foi realizado em frente ao Campus II da Unoeste, na Rodovia Raposo Tavares. O coletivo "A Frente pela Vida das Mulheres" classificou o episódio como misoginia organizada, associada à ideologia red pill e ao conceito de "Valor Sexual de Mercado".

A Unoeste informou que abriu apuração interna prioritária para identificar os autores e aplicar punições previstas no regimento. A instituição repudiou a exposição e pediu que o conteúdo não seja compartilhado para evitar mais danos às vítimas. A DDM segue colhendo depoimentos e preservando as provas digitais; ninguém foi indiciado.

Principais informações

  • Universitária relata crise de ansiedade após descobrir foto em 'ranking' sexual.
  • Polícia Civil investiga cinco suspeitos; seis vítimas foram identificadas.
  • Imagens foram retiradas de redes sociais e circulavam em grupo fechado com comentários ofensivos.
  • Estudantes fizeram protesto em frente ao campus da Unoeste.
  • Universidade repudiou o caso e abriu apuração interna.

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