Lendas e história do Morro do Diabo atraem visitantes a parque no interior de SP

Lendas e história do Morro do Diabo atraem visitantes a parque no interior de SP

Situado em Teodoro Sampaio (SP), o Parque Estadual Morro do Diabo reúne cerca de 34 mil hectares de Mata Atlântica e uma elevação de quase 500 metros que dá nome à unidade. Lendas e um episódio histórico do século XVII ajudam a explicar por que o local é chamado assim e atraem visitantes curiosos.

De acordo com o gestor do parque, Eriqui Inazaki, registros históricos indicam a passagem de bandeirantes pelo Pontal do Paranapanema entre 1630 e 1640. Um grupo teria encontrado uma aldeia indígena e rendido mulheres e crianças. Ao voltarem da caça, os homens da aldeia perceberam a invasão, armaram uma emboscada e mataram os invasores.

Os indígenas teriam levado os corpos dos bandeirantes ao topo do morro por não considerarem que eles mereciam ser enterrados naquele solo. Quando outra expedição encontrou os corpos expostos, alguém teria dito que aquilo era 'coisa do diabo', origem do nome contada em painéis no topo da trilha.

No imaginário popular, circulam outras versões. Há quem diga que quem sobe dez vezes o morro vê o diabo em pessoa; outros associam o nome a uma rocha em formato de poltrona, visível nas noites de lua cheia e ligada ao 'sete-peles'. Também existe uma história sobre as 'correntezas do diabo' no Rio Paranapanema, que teriam feito embarcações tombarem durante expedições de mapeamento, como a de Teodoro Fernandes Sampaio.

Criado como reserva em 1941, o parque recebe cerca de 3 mil visitantes por mês. Segundo Inazaki, muitas pessoas chegam com medo, mas saem encantadas. A unidade abriga o maior fragmento de Mata Atlântica do interior paulista e a maior população livre do mico-leão-preto, espécie considerada extinta e redescoberta na região.

O parque também abriga espécies ameaçadas de extinção, como anta, bugio e onça-pintada. Um turista chegou a ficar cara a cara com duas onças-pardas e registrou o momento em uma das trilhas da área de conservação.

Entre os desafios para a preservação estão o combate à caça e à pesca predatória e a prevenção a incêndios. O gestor afirma que foram feitos investimentos em brigadistas, equipamentos e tanques-pipa, e que não há registro de fogo dentro do parque há mais de dez anos, apenas no entorno.

Principais informações

  • O Parque Estadual Morro do Diabo fica em Teodoro Sampaio (SP) e reúne cerca de 34 mil hectares de Mata Atlântica.
  • O nome da elevação remete a um episódio do século XVII envolvendo bandeirantes e indígenas.
  • Lendas populares dizem que subir dez vezes o morro leva a ver o diabo e associam uma rocha a uma poltrona.
  • O parque recebe cerca de 3 mil visitantes por mês e abriga espécies como mico-leão-preto, anta, bugio e onça-pintada.
  • A administração combate caça e pesca predatória e investe na prevenção a incêndios.

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