Filiação de Flávio Bolsonaro: a fraude foi feita com autorização do partido Missão

Relatório da própria legenda mostra que cadastro com CPF, nascimento e endereço falsos foi convertido automaticamente em filiação gratuita e enviado ao sistema eleitoral

A filiação do senador Flávio Bolsonaro (PL) ao partido Missão, registrada sem autorização do candidato à Presidência, ocorreu por meio do uso de credenciais partidárias e não por uma invasão aos sistemas da Justiça Eleitoral. A informação consta em relatório citado pela Revista Timeline e está de acordo com o esclarecimento divulgado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

O episódio aconteceu às vésperas do registro da candidatura presidencial de Flávio. O cadastro no Missão provocou o cancelamento automático de sua filiação ao PL e, por algumas horas, impediu que a campanha concluísse o procedimento de registro da candidatura.

Segundo o TSE, não houve hackeamento do sistema de filiação partidária. A Corte informou que ocorreu “uso indevido da ferramenta” por alguém que possuía as credenciais necessárias para realizar filiações em nome da legenda.

Cadastro utilizou dados falsos

De acordo com a Revista Timeline, o relatório da própria legenda indica que o cadastro que resultou na filiação de Flávio Bolsonaro utilizou CPF, data de nascimento e endereço falsos. Mesmo com essas informações, o procedimento foi convertido automaticamente em uma filiação gratuita e encaminhado ao sistema da Justiça Eleitoral.

A utilização das credenciais partidárias é um dos pontos centrais da investigação. Até o momento, porém, não é possível afirmar que um dirigente ou funcionário do Missão tenha sido responsável diretamente pela operação.

Segundo o material divulgado, as credenciais podem ter sido utilizadas por um operador autorizado, compartilhadas de maneira indevida ou comprometidas fora da estrutura do TSE. A identificação do responsável deverá depender da análise dos registros de acesso e da investigação policial.

TSE restabeleceu filiação de Flávio ao PL

Diante do problema, o presidente do TSE, ministro Nunes Marques, concedeu uma decisão urgente para cancelar a filiação de Flávio Bolsonaro ao Missão e restabelecer seu vínculo com o PL.

A decisão determinou que a filiação ao PL fosse considerada válida desde 30 de novembro de 2021, permitindo que o candidato retomasse o processo de registro de sua candidatura à Presidência da República.

O ministro também determinou a preservação dos registros eletrônicos de acesso ao sistema, além da abertura de investigação policial e do encaminhamento do caso à Procuradoria-Geral Eleitoral.

Caso será investigado pela Polícia Federal

A autoria da operação ainda não foi determinada. A investigação deverá analisar os registros de acesso utilizados para efetivar a filiação e buscar identificar quem realizou o procedimento.

O TSE reforçou que o episódio não foi provocado por uma invasão aos sistemas da Justiça Eleitoral. A informação divulgada pela Corte aponta para o uso indevido de uma ferramenta por alguém que tinha acesso regular às credenciais necessárias para realizar filiações.

A diferença é relevante: em vez de apontar para uma invasão externa da infraestrutura eleitoral, o caso envolve o uso irregular de credenciais vinculadas a uma legenda partidária.

Episódio ocorreu em momento decisivo da eleição

A filiação irregular ocorreu em um momento particularmente sensível do calendário eleitoral, quando Flávio Bolsonaro se preparava para formalizar sua candidatura à Presidência pelo PL.

A mudança de legenda registrada no sistema eleitoral criou um obstáculo imediato ao processo de candidatura, uma vez que o senador aparecia oficialmente como integrante do Missão.

Com a decisão do TSE, o vínculo partidário com o PL foi restaurado e o procedimento de candidatura pôde ser retomado.

Agora, a principal questão passa a ser a identificação de quem utilizou as credenciais partidárias e de que maneira os dados falsos foram inseridos no sistema.

Até a conclusão da investigação, portanto, a autoria da fraude permanece sem definição, embora o TSE já tenha esclarecido que o episódio não decorreu de hackeamento de seus sistemas.

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