Eleições nos EUA reforçam barreiras a data centers e pressionam ritmo da inteligência artificial

Eleições nos EUA reforçam barreiras a data centers e pressionam ritmo da inteligência artificial

O avanço da inteligência artificial nos Estados Unidos pode perder velocidade com a resistência crescente à construção de data centers. O resultado das eleições no país levou ao poder candidatos que defendem limitar ou interromper novos projetos de infraestrutura de computação em diferentes estados, o que coloca em risco parte do cronograma do setor.

Segundo o material, municípios de Ohio, Kansas, Flórida e Califórnia aprovaram proibições ou restrições a empreendimentos do tipo. Em Ohio, mais de dez cidades votaram para barrar obras. A objeção ao setor aparece em faixas políticas distintas.

Entre os motivos apontados pelos eleitores estão a preocupação com ataques cibernéticos e o receio de perda de empregos. O ponto central, porém, é a pressão que essas instalações exercem sobre o fornecimento local de energia e de água.

No Texas, a governadora eleita Gina Hinojosa criticou o que classificou como expansão desordenada e defendeu a suspensão das obras até que o Legislativo estadual aprove novas regras para o setor.

Texas, Geórgia e Ohio concentram mais de 40% da capacidade de data centers planejada no país, de acordo com dados do banco Evercore ISI.

A eventual paralisação atinge diretamente grandes empresas de tecnologia. A OpenAI tem o projeto Stargate em construção no Texas e planeja o Project Camellia na Geórgia. A Meta mantém empreendimentos no Texas e em Ohio, no projeto Prometheus. A Anthropic informou ao mercado, em documento, que suspensões podem atrasar ou inviabilizar a construção de instalações essenciais para sua operação.

No mercado, o efeito já aparece: ações de companhias como CoreWeave e Applied Digital registraram recuos recentes. O investidor Brad Gerstner estimou que algo entre 25% e 35% dos projetos previstos para o próximo ano nos Estados Unidos pode estar em risco por causa do novo cenário político.

O peso econômico do setor é relevante. De acordo com o Goldman Sachs, os investimentos em inteligência artificial devem corresponder a 1,9% do Produto Interno Bruto americano neste ano. Dados do LinkedIn apontam que cerca de 750 mil empregos criados no país entre 2023 e setembro deste ano têm relação com a IA.

Há também quem veja benefícios locais. O setor é apontado como fonte de receita para comunidades rurais por meio do imposto sobre propriedades, dinheiro que tem sido aplicado em serviços públicos, como a construção de quartéis do corpo de bombeiros e o pagamento de bônus a profissionais da educação.

Principais informações

  • Eleições nos EUA elegeram candidatos contrários à expansão de data centers em vários estados
  • Municípios de Ohio, Kansas, Flórida e Califórnia aprovaram proibições ou restrições a novos projetos
  • Texas, Geórgia e Ohio somam mais de 40% da capacidade planejada de data centers no país
  • Projetos da OpenAI, Meta e Anthropic podem ser afetados por eventuais suspensões
  • Investimentos em IA devem representar 1,9% do PIB americano neste ano, segundo o Goldman Sachs

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