Protestos por custo de vida e serviços públicos movimentam cidades da Europa

Protestos por custo de vida e serviços públicos movimentam cidades da Europa

Manifestações contra o custo de vida e por mais investimento em serviços públicos movimentaram vários países europeus entre a sexta-feira, 30, e a madrugada deste domingo, 1º, com greve geral na Itália, protestos na França e na Alemanha e desocupação de acampamentos em Portugal. As mobilizações tiveram organizadores e reivindicações distintas, mas convergiram em temas como salários, educação, saúde, habitação e oposição à ampliação dos gastos militares.

Na França, o Ministério do Interior contabilizou 320 mil manifestantes em todo o país, incluindo 70 mil em Paris. Uma coalizão de sindicatos e organizações estudantis estimou quase meio milhão de participantes, dos quais 200 mil na capital. Foi o terceiro sábado consecutivo de atos, com redução da participação pelos números do governo: 550 mil pessoas em 17 de outubro e 410 mil em 24 de outubro.

O movimento francês começou com queixas de estudantes sobre falta de professores, condições das escolas e acesso ao ensino superior, e depois incorporou a insatisfação com o custo de vida e com o governo do presidente Emmanuel Macron. Houve incêndios e confrontos em Paris e em outras cidades. As autoridades mobilizaram cerca de 70 mil policiais e agentes de segurança e informaram mais de 560 detenções até a noite do sábado.

Na Alemanha, a iniciativa "Gen Z regelt" convocou manifestações em mais de 30 cidades, com pedidos de investimento em educação e saúde, medidas de combate às mudanças climáticas, condições de vida mais acessíveis e oposição a uma eventual retomada do serviço militar obrigatório. Em Frankfurt houve depredação de vitrines e saques. Em Colônia, a polícia encerrou uma passeata com canhões de água. Hamburgo registrou barricadas incendiadas e uso de gás lacrimogêneo pelas forças de segurança.

Em Lisboa, milhares de pessoas marcharam no sábado contra uma proposta do governo que altera as regras dos aluguéis e, segundo os manifestantes, agravaria a dificuldade de acesso à moradia. Ao fim do ato, mais de 50 barracas foram montadas na Praça do Rossio. Por volta das 4h30 deste domingo, no horário local, policiais desmontaram o acampamento e dispersaram os participantes com escudos e golpes de cassetete. Uma operação semelhante ocorreu na Praça de Dom João I, no Porto.

O texto em discussão em Portugal facilita despejos e encerra limites aos aluguéis em novos contratos. O primeiro-ministro Luís Montenegro descartou retirar o projeto, mas admitiu negociar alterações antes da votação final.

Na Itália, dezenas de milhares de trabalhadores e estudantes foram às ruas na sexta-feira em uma greve geral de 24 horas convocada pelo sindicato Unione Sindacale di Base, com manifestações previstas em mais de 40 cidades. Os participantes reivindicaram aumentos salariais e mais recursos para os serviços públicos, além de protestarem contra o custo de vida e os gastos militares. Houve episódios de tensão em Roma e Turim. Em Gênova, cerca de 15 mil trabalhadores portuários, estudantes e outros manifestantes entraram no porto, em um ato que também se posicionou contra o uso da estrutura para o transporte de armas.

Principais informações

  • Itália teve greve geral de 24 horas na sexta-feira, convocada pelo Unione Sindacale di Base, com atos previstos em mais de 40 cidades
  • Na França, o governo contabilizou 320 mil manifestantes; sindicatos e estudantes estimaram quase meio milhão, e houve mais de 560 detenções
  • Manifestações na Alemanha ocorreram em mais de 30 cidades, com confrontos e depredações em Frankfurt, Colônia e Hamburgo
  • Em Lisboa, mais de 50 barracas foram montadas na Praça do Rossio e desmontadas pela polícia na madrugada de domingo
  • O primeiro-ministro português, Luís Montenegro, descartou retirar o projeto sobre aluguéis, mas admitiu negociar alterações

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