Falta de formação especializada ameaça crescimento do mercado de games no Espírito Santo

Falta de formação especializada ameaça crescimento do mercado de games no Espírito Santo

O mercado de jogos eletrônicos do Espírito Santo pode sofrer com a escassez de mão de obra qualificada nos próximos anos caso não haja ampliação da formação profissional no setor. A avaliação é de Victor Hugo Körting, desenvolvedor e vice-presidente da Associação Gamedev-ES.

De acordo com Körting, o principal entrave no estado hoje é a ausência de cursos de ensino superior dedicados ao segmento. Há iniciativas em andamento, como o curso de Programação de Jogos Digitais do Centro Estadual de Educação Técnica Vasco Coutinho, em Vila Velha, e a previsão de abertura de uma turma no Salesiano — Centro Universitário Católico em 2027, mas a procura segue acima da capacidade de formação especializada disponível.

Os gargalos não se restringem à área técnica. Fabiano de Paula, fundador do Quimera Game Studio e do Punk Crush Games, relata dificuldade para contratar especialistas em funções de apoio, entre elas o marketing digital voltado especificamente para games. Para preencher essas posições, o mercado local frequentemente precisa buscar profissionais em centros como São Paulo ou Brasília.

A retenção de talentos é outro desafio apontado por profissionais do setor. Parte dos melhores desenvolvedores capixabas atua de forma remota para empresas do exterior, com remuneração em dólar, o que os afasta do ecossistema produtivo local. Segundo o material, faltam não apenas profissionais de programação e arte, mas também de outras funções.

Por outro lado, a expansão do setor tende a beneficiar outras atividades. Bruno Ross, CEO e fundador da startup Prisma, afirma que o conhecimento de um desenvolvedor de jogos pode ser aplicado em áreas como indústria, logística e comércio, suprindo a demanda por mão de obra qualificada no desenvolvimento de sistemas em geral.

O Marco Legal do setor é visto por parte dos produtores como um instrumento para reforçar, junto a instituições públicas, o argumento da necessidade de formação e da geração de empregos. Lucas Dalcolmo, fundador da Dallm Games, avalia que o ecossistema capixaba está amadurecendo, mas defende mecanismos que aproximem patrocinadores dos pequenos desenvolvedores. A captação de recursos continua sendo uma barreira.

A Mito Games é citada como exemplo de atuação internacional: a empresa fez a portabilidade de um jogo belga para consoles como Xbox e PlayStation e foi contemplada no programa Horizon Europe, da União Europeia.

Principais informações

  • Gamedev-ES alerta para risco de falta de mão de obra qualificada no mercado de games capixaba
  • Estado tem poucos cursos superiores voltados ao setor, e a demanda supera a oferta de formação
  • Empresas buscam especialistas em marketing digital para games em São Paulo ou Brasília
  • Desenvolvedores capixabas trabalham remotamente para o exterior e recebem em dólar
  • Marco Legal é apontado como ferramenta para reforçar a necessidade de formação e gerar empregos

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