Colunista atribui a Lula ordem para prender Flávio Bolsonaro; não há provas públicas

Colunista atribui a Lula ordem para prender Flávio Bolsonaro; não há provas públicas

O colunista Cláudio Humberto, do Diário do Poder, divulgou um relato segundo o qual o presidente Lula (PT) teria ordenado a prisão do senador Flávio Bolsonaro (PL). A alegação passou a circular nos bastidores políticos de Brasília após a eleição presidencial e não foi acompanhada de nenhuma prova pública que a sustente.

Conforme a versão publicada pelo colunista, a determinação teria sido dada durante a comemoração da vitória eleitoral. Não foram apresentados documentos, registros ou outros elementos que confirmem a ordem nem que indiquem interferência do presidente na atuação da Polícia Federal.

O assunto ganhou repercussão por causa da proximidade entre a confirmação do resultado e as medidas judiciais contra o senador. De acordo com reportagem de O Globo, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) confirmou matematicamente a vitória de Lula às 21h09 do domingo (25). Às 21h16, a representação da PF que pedia a apreensão dos passaportes de Flávio Bolsonaro já estava assinada digitalmente.

O documento tem 16 páginas e se baseou em elementos de uma investigação que envolve suspeitas de movimentações financeiras e possíveis irregularidades com recursos no exterior. A representação também citou declarações públicas de Eduardo Bolsonaro sobre a possibilidade de o irmão deixar o Brasil caso fosse derrotado na eleição.

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou as medidas ainda naquela noite, determinando a apreensão dos passaportes e impondo restrições à saída do país.

Apoiadores de Flávio passaram a questionar a rapidez do procedimento e a levantar dúvidas sobre o momento em que a representação teria sido preparada, cogitando uma articulação anterior à confirmação do resultado. Os sete minutos, no entanto, correspondem apenas ao intervalo entre a confirmação matemática da eleição e a assinatura do documento da PF. Esse dado, isoladamente, não permite concluir quando a elaboração começou nem comprova que a medida tenha partido do presidente da República.

Depois da derrota e da decisão judicial sobre os passaportes, Flávio Bolsonaro viajou com a família para os Estados Unidos. O senador passou a contestar o resultado das urnas e divulgou uma carta em que acusa o processo eleitoral de fraude, sem apresentar provas que sustentem a afirmação.

Nesta quarta-feira (28), a PF informou que investiga as circunstâncias do descumprimento das determinações judiciais. A corporação esclareceu que o não cumprimento da ordem de entrega dos passaportes, por si só, não torna o senador foragido nem autoriza automaticamente sua prisão.

Flávio Bolsonaro nega irregularidades e critica as medidas adotadas contra ele. A investigação em andamento não representa, por si só, comprovação de culpa.

Principais informações

  • Cláudio Humberto, do Diário do Poder, atribuiu a Lula uma suposta ordem para prender Flávio Bolsonaro, sem provas públicas.
  • O TSE confirmou a vitória de Lula às 21h09 do domingo (25) e, às 21h16, a PF já tinha assinado a representação sobre os passaportes do senador.
  • O pedido da PF, de 16 páginas, citou investigação sobre movimentações financeiras e declarações de Eduardo Bolsonaro sobre saída do país.
  • Alexandre de Moraes autorizou a apreensão dos passaportes e restrições à saída do país na mesma noite.
  • Flávio viajou para os Estados Unidos, contesta o resultado e a PF investiga o descumprimento das determinações judiciais.

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