Flávio Bolsonaro entrega ao TSE autorização para abrir sigilos e cobra Lula sobre cartão corporativo

O senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) encaminhou nesta sexta-feira, 23, ao Tribunal Superior Eleitoral autorizações para a divulgação de seus dados bancários e telefônicos. Na mesma petição, cobrou do adversário no segundo turno, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), a apresentação dos gastos do cartão corporativo da Presidência da República e dos registros de visitas ao gabinete presidencial.
O envio ocorreu depois que as campanhas dos dois candidatos fecharam um acordo para autorizar a abertura de sigilos bancários, fiscais e telefônicos, protocolado na quinta-feira. O documento prevê a divulgação de dados dos candidatos e também de familiares e pessoas jurídicas abrangidos pelos termos acertados. O tema entrou na disputa durante o debate da TV Bandeirantes, no domingo, 18, quando Lula desafiou Flávio a divulgar suas informações financeiras.
Na petição, a defesa do senador argumentou que a transparência sobre despesas pagas com dinheiro público também deve fazer parte do debate eleitoral. Flávio citou uma auditoria do Tribunal de Contas da União segundo a qual quase 100% dos gastos do cartão corporativo da Presidência, entre janeiro de 2023 e abril de 2025, foram classificados como sigilosos ou reservados.
Além das despesas do cartão, o senador pediu a divulgação dos registros de pessoas que visitaram o gabinete presidencial, afirmando que essas informações devem ser públicas. Os pedidos incluem ainda dados sobre reuniões, visitas e empresas ligadas a pessoas próximas ao presidente.
A cobrança acontece em meio a questionamentos da oposição sobre uma reunião de Lula com Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, e sobre a relação entre a lobista Roberta Luchsinger e Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho mais velho do presidente.
Na véspera, Flávio convocou Deltan Dallagnol, ex-procurador da Operação Lava Jato, para analisar os documentos apresentados pela campanha de Lula. Senador eleito pelo partido Novo do Paraná, Dallagnol declarou que pretende verificar se o material entregue pelo presidente está completo. Segundo ele, a análise deve examinar informações fiscais e bancárias do presidente e de familiares, conforme os documentos disponibilizados.
Também na quinta-feira, 22, o ministro André Mendonça, vice-presidente do TSE, afirmou que os candidatos podem autorizar a divulgação dos próprios dados sem necessidade de autorização prévia da Justiça Eleitoral. De acordo com o magistrado, cabe aos titulares decidir se e quando tornarão públicas as informações protegidas por sigilo, e a divulgação voluntária não substitui investigações formais conduzidas pelas autoridades competentes. A decisão não determina a publicação automática dos documentos nem confirma que todas as informações solicitadas pelas campanhas serão divulgadas.
Principais informações
- Flávio Bolsonaro entregou ao TSE, nesta sexta-feira, 23, autorizações para divulgar dados bancários e telefônicos
- O senador pediu a Lula a divulgação dos gastos do cartão corporativo da Presidência e dos registros de visitas ao gabinete presidencial
- O envio ocorreu após acordo entre as campanhas, protocolado na quinta-feira, que prevê abrir sigilos bancários, fiscais e telefônicos dos candidatos, familiares e empresas abrangidas
- Flávio citou auditoria do TCU segundo a qual quase 100% dos gastos do cartão corporativo, de janeiro de 2023 a abril de 2025, foram classificados como sigilosos ou reservados
- O ministro André Mendonça, vice-presidente do TSE, afirmou que candidatos podem autorizar a divulgação dos próprios dados sem autorização prévia da Justiça Eleitoral

