Israel vai às urnas pela primeira vez desde o início da guerra, com segurança no centro do debate

Israel vai às urnas pela primeira vez desde o início da guerra, com segurança no centro do debate

Israel realiza nos próximos dias a primeira eleição para a formação de um novo governo desde o início da guerra, em um cenário de sociedade dividida. O debate sobre a criação de um Estado palestino, que por décadas separou a política israelense em dois campos, perdeu espaço para a segurança, tema que hoje concentra as preocupações do eleitorado.

A ausência de uma comissão estatal independente para apurar as falhas que permitiram o ataque do Hamas em 7 de outubro de 2023 se tornou mais um ponto de atrito entre o governo de Benjamin Netanyahu, a oposição e a Suprema Corte. Segundo a publicação, as campanhas têm sido agressivas e pouco objetivas, com mais sinais sobre o que os candidatos sentem do que sobre o que pretendem fazer caso assumam a liderança do país.

O material situa a sociedade israelense em uma história de cerca de 3 mil anos, marcada por ataques, combates e expulsões, entre eles o exílio babilônico, iniciado no século 6 a.C., e o promovido pelos romanos em 70 d.C. Na partilha da Palestina, em 1947, viviam na região cerca de 600 mil judeus; hoje eles somam cerca de 8 milhões.

Boa parte desse crescimento veio de ondas migratórias, como a chegada de sobreviventes do Holocausto e a imigração de judeus da antiga União Soviética, que trouxe mais de 1 milhão de pessoas a partir do fim da década de 1980. Em 1984, a Operação Moisés resgatou cerca de 8 mil judeus etíopes que haviam fugido a pé até o Sudão e foram transportados secretamente para Israel.

Mesmo durante a guerra, o país manteve a maior taxa de fecundidade entre os membros da OCDE, com cerca de 2,8 filhos por mulher. O Banco de Israel anunciou em julho previsão de crescimento de 4% para 2026 e de 5,5% para 2027.

Para o filósofo e escritor israelense Micah Goodman, a sociedade do país reúne ao mesmo tempo o individualismo liberal do Ocidente e a resiliência tradicional do Oriente Médio. Ele resume o momento eleitoral como uma lógica em que o eleitor diz odiar o outro por seu voto, mas amar o outro por ele ser israelense.

Na diplomacia, os acordos de paz com a Jordânia e o Egito permaneceram intactos, assim como os Acordos de Abraão, que estabeleceram relações com Emirados Árabes Unidos, Bahrein, Marrocos e Sudão. Nesta semana foi anunciada a construção da sede permanente da embaixada dos Emirados em Herzliya, na região metropolitana de Tel Aviv, em um complexo de 15 andares que abrigará escritórios da representação e residências para o embaixador e funcionários.

Uma das motivações do ataque do Hamas em 2023 foi destruir o processo de normalização entre Israel e a Arábia Saudita, que então dava sinais de avanço. Neste mês, os sauditas se mostraram abertos a uma intervenção militar israelense contra os houthis, desde que encoberta por uma operação americana. Em 30 de setembro, durante uma tentativa de sequestro de uma aeronave da Flydubai que levava passageiros israelenses de Dubai para Tel Aviv, as autoridades sauditas autorizaram o pouso de emergência no país, apesar da ausência de relações diplomáticas formais.

O texto cita ainda o autor Nachum Kaplan, para quem Israel passou por uma transformação clara: a vulnerabilidade já não define a condição da existência judaica. A avaliação não significa, conforme a publicação, que o país seja invulnerável.

Principais informações

  • Israel vota pela primeira vez desde o início da guerra para formar um novo governo
  • Segurança substituiu a questão do Estado palestino como tema central da eleição
  • Falta de comissão estatal independente para investigar as falhas de 7 de outubro opõe governo, oposição e Suprema Corte
  • Banco de Israel prevê crescimento de 4% em 2026 e 5,5% em 2027, e o país mantém a maior fecundidade da OCDE
  • Acordos com Jordânia, Egito e os Acordos de Abraão seguem intactos, e os Emirados anunciaram sede permanente de embaixada em Herzliya

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