PF aponta que Vorcaro pagou R$ 50 mil mensais ao DCM para frear críticas ao Master

PF aponta que Vorcaro pagou R$ 50 mil mensais ao DCM para frear críticas ao Master

A Polícia Federal afirma que o ex-banqueiro Daniel Vorcaro pagou R$ 50 mil mensais ao site DCM (Diário do Centro do Mundo) para evitar notícias negativas sobre o Banco Master. Os documentos foram enviados ao STF e tornados públicos pelo ministro André Mendonça nesta terça-feira (16).

Segundo os investigadores, o site foi "cooptado por determinação expressa de Vorcaro" para deixar de publicar notícias negativas sobre o Master e fazer o oposto "contra seus inimigos", em troca do valor mensal.

Mensagens de julho de 2024 mostram Luiz Phillip Mourão, conhecido como Sicário, apontado como membro da milícia privada de Vorcaro, dizendo ao ex-banqueiro que fazia pagamentos "ao DCM e mais 2 editores". Em setembro, Vorcaro encaminhou a ele um texto sobre processos contra o banco: "tem que derrubar urgente. Derrubar de vez esse blog". Para a PF, a conversa sugere a intenção de influenciar a linha editorial do veículo mediante compensação econômica.

Em outubro de 2024, os dois voltaram a reclamar de notícias negativas. Vorcaro sugeriu que iria "contratar eles" para bater em "inimigos". No dia seguinte, Sicário disse que "o pessoal do DCM está perguntando sobre a parceria"; Vorcaro respondeu: "50k mes?".

Procurado na noite de terça-feira, o DCM não se manifestou. Em março de 2026, quando a suspeita veio à tona em decisão de Mendonça, o site negou ter recebido recursos dos investigados e disse ter publicado reportagens críticas a Vorcaro.

A PF aponta ainda que Vorcaro atuou na publicação de uma nota em O Bastidor em 17 de novembro de 2025, dia de sua prisão, quando tentava embarcar para o exterior. O texto tratava de investigação sigilosa sobre o Master e foi usado pelos advogados dele para pedir acesso ao caso. No dia seguinte, o Banco Central liquidou o Master.

Segundo os investigadores, o jornalista Diego Escosteguy, fundador de O Bastidor, "recebia dinheiro de Daniel Vorcaro" para publicar informações de interesse do banqueiro. Diálogos reproduzidos pela PF mostram que ele enviou a Vorcaro uma versão da nota; menos de uma hora depois, o site publicou.

A documentação não informa quanto foi repassado a Escosteguy. Em diálogo de novembro de 2024, Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro, pediu orientações sobre uma lista de pagamentos cobrados que incluía "2M – Escosteguy" e "3.5M – Agregados – BSB, jornalistas, mídia, notas mensais". Em setembro de 2025, o jornalista cobrou o segundo pagamento. A suspeita foi revelada pela colunista Malu Gaspar, de O Globo.

Em nota, Escosteguy disse que a relação com Vorcaro sempre foi "estritamente profissional" e que os valores se referem a contratos de patrocínio e publicidade, sem interferência na linha editorial.

A investigação aponta também que Vorcaro orientava sua equipe sobre frases a serem reproduzidas por uma rede de perfis em comentários sobre o Master, como "tacada de mestre", em notícias sobre a compra do Master pelo BRB.

Principais informações

  • PF afirma que Daniel Vorcaro pagou R$ 50 mil mensais ao DCM para frear notícias negativas sobre o Banco Master.
  • Documentos foram enviados ao STF e tornados públicos pelo ministro André Mendonça nesta terça-feira (16).
  • Investigadores dizem que Vorcaro combinou nota em O Bastidor no dia de sua prisão, em 17 de novembro de 2025.
  • Diego Escosteguy, fundador de O Bastidor, é apontado como recebedor de dinheiro de Vorcaro e nega interferência na linha editorial.
  • Apuração cita ainda rede de perfis orientada a comentar elogios ao banco e tentativa de obstrução à Justiça.

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