Famílias de detentas relatam falta de contato telefônico com penitenciária de Tupi Paulista

Famílias de detentas da Penitenciária Feminina de Tupi Paulista, no oeste de São Paulo, relatam dificuldade para conseguir contato telefônico com a unidade. Segundo relatos enviados ao Sentido Horário, ao menos 12 números com DDD 018 listados como da penitenciária não funcionam, e o problema se arrasta por mais de um mês.
A unidade é a mesma onde a influenciadora Deolane Bezerra está presa desde maio, pela Operação Vérnix, que apura um esquema de lavagem de dinheiro para o Primeiro Comando da Capital (PCC). Por ser advogada, ela ocupa uma cela especial, diferente das demais detentas.
Conforme mães, irmãs, sogras e outros parentes, as ligações servem para confirmar informações sobre as detentas, como renovação da carteirinha de visitação, documentação e a situação das reeducandas. Uma família de Campinas tenta contato desde 4 de setembro sem sucesso.
A irmã de uma detenta afirma que a falta de sinal já ocorreu outras vezes e que são raros os momentos em que conseguem falar. Segundo ela, a familiar precisava de atendimento médico e a família só soube por uma carta enviada depois de um mês. O pedido foi feito por e-mail, com apoio de uma advogada, porque os telefones estavam sem conexão.
Uma família de Iguape, no litoral sul paulista, reforçou na terça-feira (6) que não conseguia falar com a mulher presa desde o início de setembro. A detenta está há um ano e meio na unidade, e as ligações eram a forma de ter notícias, já que a cidade fica a quase 900 km de Tupi Paulista, com mais de 10 horas de viagem.
Uma moradora de São Paulo, preocupada com a nora presa, diz que a dificuldade de contato já aconteceu outras vezes, mas que a situação atual é anormal. Segundo ela, o telefone funciona um dia e fica cerca de 30 dias sem funcionar.
Procurada, a Polícia Penal do Estado de São Paulo informou em nota na terça-feira (6) que os canais de atendimento digital da penitenciária permaneciam ativos e operantes. O sistema de telefonia foi restabelecido em 11 de setembro, após substituição de equipamentos, mas sofreu nova interrupção em 2 de outubro.
Ainda conforme a nota, a interrupção ocorreu devido a oscilações elétricas e aos impactos das recentes tempestades na rede da operadora local, que atuava para concluir os reparos na linha física. O prazo para o restabelecimento não foi informado.
Em 11 de setembro, a TV TEM já havia questionado a Secretaria da Administração Penitenciária (SAP) sobre o problema. Na época, a pasta afirmou que as linhas apresentavam instabilidade por falhas em equipamentos externos e que os reparos estavam sendo feitos pelo setor técnico competente.
A SAP orientou que os atendimentos a familiares e ao público externo sejam feitos por WhatsApp automatizado, no número (18) 3851-9628, e pelo e-mail pftupi@sp.gov.br.
Principais informações
- Famílias de detentas não conseguem contato telefônico com a Penitenciária Feminina de Tupi Paulista (SP) há mais de um mês.
- Ao menos 12 números com DDD 018 listados como da unidade não funcionam, segundo relatos enviados ao Sentido Horário.
- Os contatos são usados para confirmar visitação, documentação e a situação das presas, inclusive pedidos de atendimento médico.
- A Polícia Penal diz que a telefonia voltou em 11 de setembro após troca de equipamentos, mas caiu de novo em 2 de outubro, por oscilações elétricas e tempestades.
- A SAP orienta atendimento por WhatsApp automatizado, no (18) 3851-9628, e pelo e-mail pftupi@sp.gov.br.

