JUÍZA SOLTA ADVOGADA VEGANA POR DIETA INADEQUADA NA PRISÃO

A juíza Placidina Pires foi alvo de ataques por dar liberdade provisória a advogada vegana Foto: Arquivo pessoalA juíza Placidina Pires foi alvo de ataques por dar liberdade provisória a advogada vegana 

A juíza Placidina Pires, da Vara dos Feitos Relativos a Organizações Criminosas e Lavagem de Capitais de Goiás, vem sofrendo ataques nas redes sociais desde a última terça (5) por ter concedido liberdade provisória a uma advogada vegana que apresentou complicações de saúde pela alimentação inadequada no sistema penitenciário. Apesar de a decisão ser de dezembro, as críticas se disseminaram depois de publicações recentes dos deputados Eduardo Bolsonaro e Carla Zambelli, ambos do PSL.

Em seu perfil, o filho do presidente escreveu que “não à toa temos toda essa criminalidade” ao compartilhar uma matéria sobre o caso. Já Zambelli classificou a decisão como “piada” em post no Facebook. As ofensivas ressoaram em grupos bolsonaristas.

 

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Diante dos ataques, a magistrada explicou que o fator principal para sua decisão foi a condição de saúde da advogada, que foi internada em estado grave em razão da alimentação precária na cadeia. Segundo os autos, ela comia apenas cenoura e quiabo desde que foi presa preventivamente no final de novembro. A advogada é suspeita de integrar uma organização criminosa especializada na exploração de jogos de azar.

“Não considero uma acusação de crime violento, de uma pessoa perigosa, que apresenta risco para a sociedade, ainda mais diante do estado de saúde dela, que foi o que motivou a decisão. Ela estava em um quadro grave, internada. Fora isso, ela é ré primária, sem antecedentes e tem endereço certo. Achei que naquele momento deveria colocá-la em liberdade, monitorada por tornozeleira. Não soltei simplesmente porque ela é vegana”, disse a juíza.

Na decisão, a magistrada argumentou que a defesa demonstrou que, por ser vegana, a ré necessitava de alimentação adequada não fornecida pela unidade prisional. Pires substituiu a prisão preventiva por medidas cautelares, entre elas o uso de tornozeleria eletrônica. A advogada também não poderá mudar de endereço nem se ausentar por mais de oito dias de sua residência sem aviso e autorização prévia.Em seu Instagram, a juíza esclareceu o caso e afirmou que recebia as críticas com “humildade e serenidade”. Segundo Pires, ela optou por não divulgar a decisão ao público para não expor a advogada. 

 

 

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