Congresso dos EUA certifica vitória de Biden na eleição presidencial

Joe Biden, presidente eleito dos EUA, durante coletiva de imprensa da equipe de transição nesta terça (8) — Foto: Kevin Lamarque/Reuters

Joe Biden, presidente eleito dos EUA, durante coletiva de imprensa da equipe de transição nesta terça (8) — Foto: Kevin Lamarque/Reuters

 

O Congresso americano confirmou na madrugada desta quinta-feira (7) a vitória do democrata Joe Biden nas eleições presidenciais dos Estados Unidos. O presidente eleito tomará posse em 20 de janeiro.

Após horas de interrupção da sessão devido à invasão ao Capitólio por extremistas apoiadores de Donald Trump, o vice-presidente Mike Pence ratificou a contagem dos votos no Colégio Eleitoral às 5h44 (horário de Brasília).

“O anúncio do estado da votação pelo presidente do Senado será considerado uma declaração suficiente para as pessoas eleitas presidente e vice-presidente dos Estados Unidos para o mandato que começa no dia 20 de janeiro de 2021 e será inscrito junto à lista de votos nos jornais do Senado e da Câmara dos Representantes”, afirmou Pence antes de encerrar a sessão.

 

Ao retomar a sessão, Pence — que também saiu derrotado na tentativa de se reeleger vice na chapa de Trump — criticou a invasão do Capitólio e celebrou a volta da sessão:

“Para aqueles que causaram estragos em nosso Capitólio hoje: vocês não ganharam”, afirmou Pence em seu discurso na reabertura. “A violência nunca vence. A liberdade vence. Ao nos reunirmos novamente nesta câmara, o mundo testemunhará novamente a resiliência e a força de nossa democracia. E esta ainda é a casa do povo. Vamos voltar ao trabalho”.

Em condições normais, a sessão seria um procedimento meramente formal. Mas Trump pressionava Pence, que presidiu a sessão porque nos EUA o vice-presidente também ocupa o cargo de presidente do Senado, a não aceitar a certificação de Biden.

Depois da formalização, Trump afirmou que “haverá uma transição ordeira em 20 de janeiro”. “Embora isso represente o fim do maior primeiro mandato da história presidencial, é apenas o começo de nossa luta para tornar a América grande de novo”, afirmou o presidente americano ao reconhecer a derrota para Biden.O vice-presidente dos EUA, Mike Pence, anuncia a eleição de Joe Biden e Kamala Harris como presidente e vice-presidente do país durante sessão conjunta do Congresso americano, que confirmou o resultado do Colégio Eleitoral, em 7 de janeiro de 2021 — Foto: Andrew Harnik/AP

O vice-presidente dos EUA, Mike Pence, anuncia a eleição de Joe Biden e Kamala Harris como presidente e vice-presidente do país durante sessão conjunta do Congresso americano, que confirmou o resultado do Colégio Eleitoral, em 7 de janeiro de 2021 — Foto: Andrew Harnik/AP

Outros parlamentares, incluindo apoiadores de longa data de Trump como o senador republicano Mitch McConnell, lamentou a invasão e a violência. Quatro pessoas morreram durante os confrontos dentro do Capitólio, 52 foram presas e 14 policiais ficaram feridos, segundo a polícia.

“O Senado dos Estados Unidos não se intimidará. Não seremos mantidos fora desta câmara por bandidos, turbas ou ameaças”, afirmou o líder da maioria no Senado, o republicano Mitch McConnell.

O primeiro democrata a falar, o líder da minoria no Senado, Chuck Schumer, acusou diretamente o presidente Donald Trump de incentivar o comportamento dos invasores, a quem chamou de “valentões e bandidos”.O líder da minoria no Senado, Chuck Schumer, durante a reabertura da sessão no Congresso para certificação da vitória de Joe Biden na eleição presidencial, na quarta-feira (6)  — Foto: Senate Television via AP

O líder da minoria no Senado, Chuck Schumer, durante a reabertura da sessão no Congresso para certificação da vitória de Joe Biden na eleição presidencial, na quarta-feira (6) — Foto: Senate Television via AP

“Não se enganem, meus amigos, os eventos de hoje não aconteceram espontaneamente”, disse Schumer. “Este presidente carrega grande parte da culpa. Essa turba era em boa parte obra do presidente Trump… sua responsabilidade, sua vergonha eterna. Os eventos de hoje, certamente, certamente não teriam acontecido sem ele”.

“Agora, o dia 6 de janeiro será um dos dias mais sombrios da história recente dos Estados Unidos, um aviso final à nossa nação sobre as consequências de um presidente demagógico”, acrescentou.

Parlamentares e jornalistas que estavam no Capitólio relataram tiros dentro do prédio. Uma mulher foi baleada e acabou morrendo algum tempo depois.

Militares da Guarda Nacional foram acionados para reforçar a segurança do Capitólio. De acordo com o Pentágono, serão cerca de 1,1 mil soldados enviados a Washington. De acordo com a imprensa americana, 13 pessoas foram presas.

Momentos antes da invasão, Trump disse que marcharia junto com os apoiadores ao Congresso. “Eu estarei com vocês. Vamos andar até o Capitólio e felicitar nossos bravos senadores e congressistas”, disse no discurso em que rejeitou, mais uma vez, reconhecer o resultado da eleição. Ele, porém, não foi visto na marcha (veja mais adiante na reportagem).Extremistas a favor de Trump cercam congresso americano — Foto: Reprodução/GloboNews

Extremistas a favor de Trump cercam congresso americano — Foto: Reprodução/GloboNews

O vice-presidente Mike Pence, que presidia a sessão, pediu que os invasores deixassem o Capitólio “imediatamente” e disse que os envolvidos sofrerão consequências legais.

“Protestos pacíficos estão no direito de todo americano, mas este ataque ao nosso Capitólio não vai ser tolerado”, afirmou.

Só depois, Trump pediu que os extremistas deixassem o capitólio, em mensagem publicada nas redes sociais.

Vocês têm que ir para casa. Precisamos ter paz, precisamos ter lei e ordem e precisamos respeitar nosso grande pessoal de lei e ordem. Não queremos ninguém ferido”, afirmou.

Após, mais uma vez, o republicano publicar declarações infundadas de que as eleições foram alvo de fraude, o Twitter removeu as postagens e anunciou o bloqueio da conta de Trump por 12 horas.

Apoiadores de Trump cercam congresso americano
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

 
 
 
 
 
 

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Apoiadores de Trump cercam congresso americano

Extremista a favor de Trump invade Congresso dos EUA — Foto: Reprodução/GloboNews

Extremista a favor de Trump invade Congresso dos EUA — Foto: Reprodução/GloboNews

Veja abaixo um RESUMO da invasão do Congresso dos EUA

  • Apoiadores de Trump invadiram o Capitólio para interromper a sessão de contagem de votos do Colégio Eleitoral
  • Invasão aconteceu durante debate sobre objeção aos resultados do Arizona, onde Biden venceu
  • Senadores e deputados foram retirados do local da sessão e levados a uma área segura do prédio
  • O vice-presidente Mike Pence, que presidia a sessão, foi retirado do Capitólio
  • Houve vandalismo, uma porta de vidro foi quebrada e gás lacrimogêneo foi disparado pela polícia do Capitólio; 14 policiais ficaram foram feridos
  • Em redes sociais, Donald Trump pediu protestos pacíficos e confiança nas forças policiais
  • A prefeita de Washington, Muriel Bowser, declarou toque de recolher na cidade a partir das 18h, por um período de 12 horas

A invasão

Apoiadora de Trump fantasiada como a Estátua da Liberdade protesta diante do Capitólio, em Washington — Foto: Leah Millis/Reuters

Apoiadora de Trump fantasiada como a Estátua da Liberdade protesta diante do Capitólio, em Washington — Foto: Leah Millis/Reuters

A invasão ocorreu enquanto Câmara e Senado debatiam se acatavam ou não uma objeção aos resultados do Arizona — tradicional reduto republicano vencido por Joe Biden na eleição de novembro. Momentos antes, Trump discursou em Washington e afirmou que não aceitaria o resultado eleitoral.

Segundo a imprensa americana, por segurança, senadores e deputados foram colocados em locais seguros dentro do prédio do Capitólio. A emissora NBC diz que o vice-presidente Mike Pence — responsável por presidir a sessão conjunta do Congresso para a contagem dos votos — foi retirado do edifício.

Facções pró-Trump invadem o Capitólio dos EUA em 6 de janeiro de 2021 — Foto: Reprodução/GloboNews

Facções pró-Trump invadem o Capitólio dos EUA em 6 de janeiro de 2021 — Foto: Reprodução/GloboNews

Extremista teve rosto ferido em confronto com a polícia durante invasão do Congresso dos EUA — Foto: Julio Cortez/AP

Extremista teve rosto ferido em confronto com a polícia durante invasão do Congresso dos EUA — Foto: Julio Cortez/AP

Em mensagem nas redes sociais, Trump pediu que os apoiadores protestassem “pacificamente” e que confiassem nas forças de segurança americanas. Entretanto, momentos antes, houve vandalismo e confrontos durante a tentativa de invasão, quando os extremistas pró-Trump conseguiram ultrapassar as barreiras de segurança e entrar no Capitólio.

Por causa dos confrontos, a prefeita de Washington, Muriel Bowser, declarou toque de recolher na cidade a partir das 18h (locais, 20h de Brasília). A medida ficará em vigor por 12 horas. A prefeitura também fechou os centros de testagem para a Covid-19 até amanhã.

“Vocês viram imagens de comportamento fora da lei dentro do Congresso dos EUA. Eu peço calma, mas peço que todos fiquem em casa”, disse. “Esse comportamento não mais será tolerado; haverá lei e haverá ordem”, prometeu a prefeita.

O governador de Virginia, Ralph Northam, declarou estado de emergência e também estabeleceu um toque de recolher a partir das 18 horas nas regiões de Arlington e Alexandria, que ficam nas proximidades de Washington DC.

Pessoas se deitam no chão e nas escadarias da galeria do Senado dos EUA no momento em que invasores tentam entrar no Capitólio, em Washington — Foto: Andrew Harnik/AP

Pessoas se deitam no chão e nas escadarias da galeria do Senado dos EUA no momento em que invasores tentam entrar no Capitólio, em Washington — Foto: Andrew Harnik/AP

Invasor com bandeira de Trump é visto dentro do Capitólio, perto da Câmara do Senado, durante sessão para ratificar Joe Biden como presidente eleito dos EUA, na quarta-feira (6) — Foto: Win McNamee/Getty Images/AFP

Invasor com bandeira de Trump é visto dentro do Capitólio, perto da Câmara do Senado, durante sessão para ratificar Joe Biden como presidente eleito dos EUA, na quarta-feira (6) — Foto: Win McNamee/Getty Images/AFP

Líderes republicanos rejeitam pressão de Trump

Dois aliados do presidente Donald Trump, o vice-presidente Mike Pence e o líder da maioria republicana no Senado, Mitch McConnell, rejeitaram nesta quarta-feira (6) mudar o resultado das eleições presidenciais dos Estados Unidos vencidas pelo democrata Joe Biden.

Mike Pence, vice-presidente dos EUA, e Mitch McConnell, líder republicano no Senado (acima, de máscara azul claro), chegam à sessão de contagem de votos no Congresso dos EUA nesta quarta-feira (6) — Foto: Andrew Harnik/AP Photo

Mike Pence, vice-presidente dos EUA, e Mitch McConnell, líder republicano no Senado (acima, de máscara azul claro), chegam à sessão de contagem de votos no Congresso dos EUA nesta quarta-feira (6) — Foto: Andrew Harnik/AP Photo

Após políticos trumpistas apresentarem uma objeção aos resultados do Arizona — tradicional reduto republicano vencido por Biden em novembro —, o senador McConnell fez duro discurso aos colegas de partido.

“Nós [parlamentares] não podemos simplesmente nos declarar um júri eleitoral com esteroides. Os eleitores, os tribunais e os estados todos falaram. Todos falaram. Se passarmos por cima, vamos danificar nossa República para sempre”, afirmou McConnell, que foi um dos principais escudeiros do governo Trump no Congresso.

“A eleição não foi nem apertada, na verdade”, completou o líder republicano. Pelo Colégio Eleitoral, Biden venceu Trump por 306 votos a 232.

Mike Pence durante sessão no Congresso dos EUA para certificar a vitória de Biden nas eleições americanas. — Foto: J. Scott Applewhite/Pool via REUTERS

Mike Pence durante sessão no Congresso dos EUA para certificar a vitória de Biden nas eleições americanas. — Foto: J. Scott Applewhite/Pool via REUTERS

Além disso, Pence afirmou que não tem poder para fazer isso e admitiu que tem papel apenas “cerimonial” na sessão.

“Meu juramento em defender e apoiar a Constituição me impede de proclamar uma autoridade unilateral para determinar quais votos devem ser contados e quais não devem ser”, admitiu Pence.

Entretanto, num aceno à base trumpista, o vice-presidente disse que houve “significantes alegações de irregularidades” e que elas seriam analisadas pelos congressistas. Pence afirmou que acataria a decisão dos parlamentares em votar as objeções, dentro do papel que ele mesmo chamou de “cerimonial”.

Após a declaração, Trump criticou o vice-presidente. “Mike Pence não teve coragem de fazer o que era necessário para proteger nosso país e nossa constituição, dando aos estados uma chance de certificar um conjunto corrigido dos fatos, não os fraudulentos e imprecisos que foram certificados anteriormente”, escreveu.

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