Otimismo com eleição leva dólar a R$ 3,68, menor valor desde maio

O dólar encontrou fôlego para seguir em queda ontem, mesmo após recuar em oito dos 11 pregões este mês, acumulando desvalorização de 9,03% em outubro.

A moeda americana terminou ontem em R$ 3,6852, o menor valor desde 25 de maio (R$ 3,6636), em queda de 1%, na contramão do movimento do câmbio no exterior. A entrada de capital externo, por conta de novas captações de recursos lá fora, da JBS e da Invepar, ajudou a levar a moeda para abaixo dos R$ 3,70, nível em que a divisa encontrava resistência em romper nos últimos dias.

Os investidores seguiram monitorando o cenário eleitoral e repercutiu positivamente nas mesas de câmbio a defesa de Jair Bolsonaro (PSL) da independência do Banco Central, embora siga relativizando o discurso sobre a reforma da Previdência.

A moeda americana começou outubro a R$ 4,0299 e ontem, na mínima chegou a cotação de R$ 3,6652, a menor intraday desde o dia 28 de maio. Com o resultado das eleições praticamente já todo precificado, uma das questões nas mesas de operação é o que pode acontecer com o dólar nas próximas semanas.

 

A estrategista de moedas em Nova York do Royal Bank of Canada (RBC), Tania Escobedo, acredita que o dólar pode cair a R$ 3,50 após o segundo turno, se Jair Bolsonaro, caso vença, começar a sinalizar claramente sua agenda de política econômica, que agora é o que interessa ao mercado.

Mas esse patamar, ressalta ela, pode não ser sustentável, considerando que o cenário externo tende a continuar menos favorável aos emergentes, na medida em que o Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) deve seguir elevando os juros.

O diretor da CM Capital Markets, Fernando Barroso, avalia que o mercado tende nos próximos dias a permanecer na espera do detalhamento da agenda de Bolsonaro, caso seja o vencedor. Por isso, a tendência é que os agentes não alterem muito as posições nos próximos dias. No caso do dólar, ele ressalta que a queda que vem ocorrendo nos últimos dias foi reflexo de um desmonte de posições compradas na moeda americana, seguido por um fluxo de estrangeiros para aplicar na bolsa e mesmo em fundos de renda fixa, operação que andava parada por causa da incerteza eleitoral.

Ontem, além da entrada do capital de curto prazo, duas empresas anunciaram emissão de bônus lá fora, a JBS e a Invepar, dona da concessão do aeroporto de Guarulhos. No total, elas podem trazer volume de US$ 1,15 bilhão ao País.

Ibovespa na estabilidade

O Ibovespa oscilou majoritariamente em terreno negativo ao longo do pregão de ontem e terminou praticamente estável, aos 85.763,95 pontos (+0,05%). Na terça-feira, houve alta firme, de 2,83%.

Entre as altas estiveram Banco do Brasil ON (+0,86%) e B3 ON (+1,20%). Vale ON avançou 1,91%. Já os papéis da Petrobras seguiram as fortes perdas do petróleo e caíram 0,67% (ON) e 1,05% (PN).

O destaque de queda, no entanto, ficou com as ações do setor elétrico, em reação à rejeição do projeto de lei (PL) que destrava a venda das distribuidoras da Eletrobras no plenário do Senado, na noite de terça-feira. Eletrobras ON e PNB perderam 3,72% e 5,38%, respectivamente. Cemig PN caiu 0,84%, em meio a sinais de que Romeu Zema (Novo), candidato que lidera em Minas Gerais , não está tão aberto à privatização. 

 

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