Ferramentas aproximam pesquisadores e gestores da saúde

A partir do entendimento que o profissional da saúde precisa ter visão holística e generalista, torna-se fundamental ampliar o conhecimento científico e pensar as novas tecnologias para melhorar a condição de saúde do paciente. Justamente pela relevância dessas práticas que as políticas de saúde informadas por evidências estão cada vez mais fortalecidas pelos órgãos estadual e federal. E a Unoeste está inserida nesse contexto, contribuindo com ações efetivas por meio do Núcleo de Avaliação Tecnológica em Saúde (Nats), da Faculdade de Medicina, mas que compreende profissionais de várias outras áreas.
 
Nessa quinta-feira (23), na universidade, teve início a Oficina de Capacitação nas Ferramentas Support, voltada a gestores e docentes da saúde, realizada pelo Instituto de Saúde do SUS/SP em parceria com o Nats e a Diretoria Regional de Saúde (DRS-11). A atividade que termina nesta sexta (24) reúne membros do Nats, além de profissionais da Secretaria Municipal de Saúde, da DRS-11, da residência multiprofissional do Hospital Regional, além das bibliotecárias da Unoeste. “A oficina é produto de um projeto que realizamos no instituto sobre uma síntese de evidência para política de saúde relacionada à redução das doenças falciformes, apoiado financeiramente pela EvipNet Brasil e Organização Panamericana de Saúde [Opas]”, explica a médica do instituto, diretora do centro de Tecnologias de Saúde para o SUS-SP, Dra. Tereza Setsuko Toma, que ministra a oficina em conjunto com a diretora do Núcleo de Fomento e Gestão de Tecnologias de Saúde, a nutricionista Dra. Maritsa Carla de Bortoli, e a educadora bolsista do projeto pelo instituto, Taís Rodrigues Tesser.
 
A diretora pontua que se trata de uma metodologia que possibilita trabalhar sínteses de evidência para políticas de saúde, destacando diversos temas considerados prioritários para o pesquisador desenvolver. “Por exemplo, a doença falciforme, que é um problema de saúde que a gente considera relevante dar mais visibilidade, justamente para melhorar a vida dessas pessoas. Também utilizamos essas ferramentas para desenvolver um trabalho que visa buscar intervenções que possam ajudar na redução na taxa de cesárea no Brasil, que também é um problema relevante”.
 
Ela ressalta, ainda, que a proposta dessa metodologia é aproximar quem está na área de pesquisa com quem lida na gestão da saúde, pois o pesquisador pode buscar as evidências científicas, mas essas intervenções precisam ser colocadas em prática, daí a importância da participação dos gestores desde o início. “O fato de estar numa grande universidade que já integra pesquisadores e gestores, isso facilita o trabalho com as novas tecnologias, avançando também para as políticas. Instituição de ensino é sempre um local interessante, até porque possibilita o envolvimento de alunos da graduação e da pós-graduação”.
 
Maritsa destacou a mobilização do Nats para a realização da oficina, que conseguiu reunir gestores estaduais e municipais, além dos residentes do HR. “Acreditamos que os estudantes são aqueles que realmente vão se sensibilizar para desenvolver o trabalho. Também não podemos deixar de mencionar a participação das bibliotecárias da universidade, pois elas são fundamentais nesse projeto. O grupo é muito bom e com certeza colherá bons frutos”, frisou. 
 
A coordenadora do Nats da Unoeste, professora doutora Édima Mattos, afirma que a importância maior, além da capacitação, é a parceria entre a Unoeste, o Departamento de Tecnologia do Ministério da Saúde e o Instituto de Saúde do SUS, os quais lidam com pesquisas para melhorar o SUS e vão ao encontro dos objetivos do Nats. “A Unoeste é a primeira instituição particular que recebe essa oficina, oferecida de forma gratuita. Existe uma dificuldade de sair do município para fazer essa capacitação externa, e agora estamos trazendo para a nossa casa. É dar oportunidade aos nossos profissionais da saúde a buscar capacitação aqui mesmo em nossa cidade”, afirma.
 
A coordenadora pontua que o núcleo da Unoeste é muito atuante e suas ações têm feito com que os olhos desses órgãos públicos se voltem para a universidade. “A Unoeste em conjunto com a DRS-11 acabou de desenvolver um projeto de 2 anos e meio, sobre a anemia falciforme na 10ª Região Administrativa do Estado. Os dados serão publicados em breve, mas eles já foram recepcionados pela Secretaria Estadual de Saúde e vamos receber a Dra. Lígia Soares para nos ajudar a implantar um serviço especializado em anemia falciforme. A justificativa é o número de falcifórmicos que foram detectados na pesquisa. Somos a pioneira nesse trabalho e eles perceberam a necessidade desse serviço na região. Presidente Prudente é a 4ª região do Estado com maior número de população negra, e essa doença é inerente ao negro. Temos um índice por população maior do que o aceito pela Organização Mundial de Saúde (OMS)”, finaliza.

 

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